terça-feira, 4 de outubro de 2011

Sem querer, meu amor, coloquei ponto final em você.

E quem um dia possa dizer, que eu nunca coloquei ponto final em nada. Estará completamente enganado, foi num dia gelado, e obviamente no inverno. Teus olhos me pareciam tão cansados, e tua alma se fundia no preto e branco. Não pude me despedir de você, seria doloroso demais. Na verdade, ainda é muito doloroso pra mim, num dia de domingo ter nostalgias, daquilo que planejamos e nem chegamos à viver. O telefone tocou. Levei um susto tão grande, que meu coração palpitou fortemente.
-A-a-alô. Atendi, com a voz falhada.
-Oi! Sou eu. Disse ele, calmamente.
-Olá, cê tá bem? Perguntei.
-Estou. Mas não liguei para falar de como me sinto, ou não. Só liguei para dizer que eu ainda penso em você, todos os minutos do meu dia.
-Não é o suficiente, não para mim.
(Silenciou-se por no mínimo vinte segundos.)
-Oi? Perguntei.
-Por quê não é o suficiente?
-Se fosse, você estaria aqui.
-Talvez, talvez, eu esteja aí. A voz trêmula dizia.
-Creio que não.
-Por quê não olha para a janela?
Então segui meus passos acelerados até a janela de meu quarto, velho. E observei, não havia nada ali.
-Não tem nada…Entristeci.
-Tem certeza?
-Sim!
-Olhe de novo… Fui até a janela mais uma vez, sem muitas esperanças. E então avistei um buquê de flores, junto à um bilhetinho. Desci. E o peguei.
E dizia assim: ” Se não fores o suficiente, juro-lhe, meu amor, farei de tudo para ser alguma coisa.” Passei a ponta dos dedos em tua caligrafia. Suspirei. E peguei o telefone:
-Oi? Ainda está aí?
-Sim!
-E se tu queres, só o seu amor pra mim, basta. Sorri.
A ligação caiu. E eu fui me deitar, e sem que eu percebesse o rapaz, já subia as escadas de minha casa, e batia em minha porta. Levantei-me.
-Quem é?
-E quem mais seria?
-Ohhh, meu amor.
E então, o menino entrou, me abraçou, e me aconchegou até o amanhecer.
-Esqueci-me de algo.
-Do quê? Perguntou.
-Tem uma borracha?
-Para quê?
-Sem querer infelizmente coloquei ponto final, em você.
-Oras, então faça-me o favor de apagar, e colocar reticências, vírgulas, qualquer coisa, menos um ponto final.
-Concordo, nossa história ainda nem começou… Pra quê ponto final?

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