quinta-feira, 27 de outubro de 2011


Amanheci em prantos, faltando-me o ar. Suspirei a tristeza que veio desde o (quase) pôr do sol que fez questão de se entristecer junto à mim. Tudo está pendendo a cor, e receio que mais uma vez, estejamos sendo pintados preto e branco.
Não era assim. Decepções e lonjuras me entristecem e fazem tudo a minha volta, viver em plena melancolia. Continuo a tentar me enganar o pensamento, ou até mesmo em ir dormir. É a terceira noite que eu não durmo. O receio? É de sonhar com você, e amanhecer na expectativa  em plena dádiva de rancor. E sem dúvidas, não será uma noite em lágrimas, ou banho que  ’lave a alma’, que vai me fazer esquecer de todo mal que vem à causar-me. Procurei o ar, e não encontrei. Na verdade, parecia encontrava-me em uma lagoa de lágrimas. Oxigênio em uma lagoa de lágrimas salgadas, e dóidas?
Dói um bocado, e um bocado não é pouco. O que é pouco pra você? Pouco é frescura. Pouco é bobagem. Conheço-te, assim, como conheço a distância de minhas palavras. E o quanto elas te fazem pensar em mudar um pouco tua índole de rapaz-não-liga-pra-nada. Uma hora, e que logo sejas, tu aprendes a valorizar. Aprendes a amar também e sinta o quanto o vazio é doído. E que pouco, não é bobagem.
Escassez de sentimentos. De palavras. De carinho. Embriaguei-me em dores, e analgésicos e se tu queres saber, não funcionaram. O vislumbre do teu sorriso intrépido anda me perturbando às madrugadas. Maldade! Como se não bastasse  minha falta de sono, o rapaz ainda vem me perturbar no comecinho da manhã.
Meu peito agora está armado novamente, protegendo-se de qualquer um. E perdoa-me, coração, por ser tão incapaz de cuidar de você. Faltam-me tantos os pedaços, que nem eu mesma estou me encontrando.
Veja só a tempestade que está minha cabeça. Tanta bagunças, ressentimento, memória, tentativas continuas de esquecimento. Uma dose de desapego de lá, uma de desamor do outro lado. Mas, é assim, aprendi a conviver com minhas dores e com meus amores reprimidos.
Venho à me desculpar por ser essa linha torta, errante, errada. Perdoai-me por ser esse texto sem desfecho, um poema sem rima, um poeminha sem graça, por ser essa reticência e querer sempre continuar o que já deveria ter acabado. Enfiarei-me em um livro surrado, ou em doses excessivas de: observar o dia.
Oras, serei apenas eu. Uma versão um pouco mais velha, e um pouco mais machucada, também. Corroendo-me por palavras, e sendo devorada por finais (in)felizes. 

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