
Está tudo tão vago. Os pássaros perderam as asas. E eu estou sufocada. Eu sei, que preciso ser forte agora, toda vez que me despeço vejo meus pedaços pelo o chão, vejo que você não me sente mais. Está tudo tão escuro. Tão abstrato, e eu não gosto de olhar para frente e não ver nada, de não conseguir pintar um riso qualquer. O velho violão quebrou as cordas. O papel desmanchou. Preciso ir para longe e procurar-te num canto qualquer, está frio e eu não tenho nada mais que um casaco para me aquecer… Ele tem seu cheiro. Sentir você me aquece a alma, mas não aquece o corpo. O pássaro não canta mais, o nosso soneto de poesia. A dor devastou. Virei enxurrada, meu bem, e eu estou sozinha por estar transbordando. Você ouve o som dos meus passos? Eu estou adormecendo no meu lençol de dor, é nossa última chance de sentir, eu continuo te amando a cada palavra gritante do coração. Querendo gritar o silêncio sufocado pelo peito. Venha, meu bem, me ajude a sair do abismo que eu mesma criei.
Eu estou caindo do precipício. Está tudo tão borrado, e eu não consigo mudar nada, talvez, seja tarde demais, ou muito cedo. Já disse que não gosto de olhar para frente e não enxergar nada além do escuro. Eu preciso pintar uma dor real, e eu preciso respirar o mesmo ar que você. Está pegando fogo e eu tenho medo que seja tarde para apagar todo esse incêndio dentro de mim. A verdade me machuca, e eu sei que você não me sente mais. A fotografia continua guardada dentro da gaveta e eu lembro como foi segurar teus dedos pela última vez. Admito, não foi fácil colocar dentro do peito e digerir que as palavras haviam morrido… Ressuscite-as. Vamos. Eu preciso disso, antes que eu morra também, e só chove, meu amor, chove, chove. Ver-te em outros braços, beijando outros lábios, está queimando… Meu amor, está queimando… Amastes mesmo a mim? As palavras estão soando confusão. Eu estou falecendo entre minhas cores perdidas, o sol não nasceu comigo. Deixei de ser radiante. Sou um brilho ofuscado, esquecido, guardado.
Está sempre chovendo. E meus pássaros não conseguem mais cantar; Arruinou-se nos escombros de minha dor todo o meu transbordar. E eu tô me afogando. Junte os cacos da janela que quebrou, junte também todos os pedaços que restaram de mim. Está tudo vago. E as flores morreram.
Abismo.
Viestes a observar que minha felicidade tampouco duraria. Acabei por me transformar naquilo que eu nunca imaginei. Uma metamorfose constante de sentimentos. Sinto-me confusa e perdida entre tantas as decisões que o mundo vem à me oferecer. Sinto-me mais segura de que posso me jogar do vigésimo andar, do que receber alguma coisa sua. O dia está nu, transpareceu num raio de sol, que fez questão de desaparecer, enquanto esquentava-me a alma. A escuridão estava a me dominar, e meu rosto estava pálido feito um pedaço de papel. Poderia ao menos estar chovendo, escorregaria lá de cima e seria uma acidente (mesmo que de propósito.) O coração estava a saltar para fora do peito, o vento me guiava, o céu estava escuro. Os relâmpagos estavam se enraivando e eu estava ali, gélida, observando todos os singelos momentos da minha vida, tentando reluzir alguma coisa do passado ou qualquer coisa que me fizesse permanecer nesse mundo medíocre. Acredito que me afogar em silêncio, seja torturante o suficiente para que minha cabeça se perca entre anseios da solidão. Venho a lhes contar que estar sozinha é por pura opção, carência, solidão, ou qualquer coisa que rime. Vivo num drama sem desfecho, sem começo, e sem meados também. Sou uma verdade completamente desnecessária. O vento está invadindo meu corpo, estou respirando um ar tão límpido e vazio. Um suspiro de dor que vem feito furacão borrando toda a minha visão. Me transformando em rima de um poeminha vagabundo. Um vento que sopra gritante e leva embora todas as folhas alaranjadas sendo observadas do alto do prédio. E venho a contar-lhes que subi as escadas num desespero que eu mesma venho a desconhecer. Subi as escadas com os passos fortes e com as pernas que já gritavam para descansar. Respirei fundo e murmurei para o vento.(Source: soprosdovento)
-Eu vou pular, eu vou pular… Suspirava com o peito triunfante como se aquilo fosse algo digno de se orgulhar. Esse seria o momento em que alguém apareceria para me impedir… É uma pena não existir alguém. Talvez um fantasma da minha criação, alguma coisa sendo arquitetada pela minha mente que transborda algo que ainda não tem nome. Além, muito além de três simples palavras. E de uma atitude. E que por desventura, a pior de todas. Viestes a observar que eu sou o meu próprio abismo, o próprio medo sufocante das palavras. Eu sou tudo aquilo que ficou soterrado embaixo da terra molhada e esquecida debaixo da chuva, hum, puro drama.
”Pula logo, estúpida.” O pensamento gritava latejando todos os meus neurônios. A minha estupidez é perceptível, está aos olhos de quem a sente, essa ignorância arrogante em tentar me sur(preender) com alguma coisa. Um desejo que poderia ao menos arder em fogo e se transformar em incêndio. Um incêndio que vem do fundo da alma, que se queima a cada respiração me transformando em pó da memória dos outros, os outros, apenas outros.
-Eu vou pular, eu vou pular… Dessa vez o vento se enfureceu, soprou toda sua fúria contra mim e perdi o passo escorregando um pouco mais para frente. Mais um sopro e fim da linha. Não vou dizer que a paisagem era bonita, trezentos carros engarrafados num trânsito infernal numa madrugada de sexta feira, era mais fácil ser atropelada, do que esperar que o vento me soprado um tiquinho mais para frente e simplesmente morrer. Morrer por amor é uma forma bonita de se morrer, mesmo que doa além da vida. O cheiro doce e enjoativo do amor que fica grudado na alma e não se vai, de jeito algum. É melhor desistir, dei meio passo para trás. Estou perdendo o equilíbrio, antes que eu me jogue logo desse prédio, acho que deverias saber de algumas coisas: Minha vida foi um completo desastre, e um fracasso também. Achas que eu deveria deixar alguma marca por aí? Ou uma calçada ensaguentada já é o suficiente? Acho melhor não contrariar esses meus devaneios estúpidos.
-Eu vou pular, eu vou pular… Desviei o olhar para o céu, as estrelas estavam brilhando que ardia os meus olhos cansados de passarem noites seguidas sem dormir. ”Pula logo, estou lhe desafiando.” Também não posso esquecer, que não sou Não vou mais aguentar esses pensamentos estúpidos, e que eu seja levada logo pelo ar, num impulso dilacerante do vento. E eu pulei, a alma deu o último suspiro para o mundo e devorou minha dor de um jeito voraz. E eu pulei… Tornando-me companheira da morte, e com os dedos entrelaçados na esperança de algum dia… algum dia, quem sabe, saber o que aconteceu depois. E como já houvera dito, sou apenas uma peça sem desfecho, sem enredo, nem diretor. Sem fim, sem início. E eu pulei…
Posted 2 weeks ago
![Um bilhetinho enfiado por debaixo da porta.
”[…] Acordar todos os dias, e observar teu sorriso esperando por um beijo, respirar o mesmo ar que você, segurar teus dedos quentes e te guiar para a chuva. Dançar com você num soneto de poesia, ir atrás de você para cantar-lhes uma música antes de dormir, afagar-lhes os cabelos enquanto está deitada no sofá. Vou caber em ti, morar em ti, amanhã se tu quiser, mas hoje vou dormir aí.
Um beijo,
Rafael. ”
O moço me arrancou um sorriso tão grande, que eu deveria fotografar e guardar só para ele. Um ‘sim’ transbordava o meu corpo por inteiro, suspirava tanto que o coração chegava a arder em felicidade. Fui indo para a cozinha, até que na geladeira tinha um outro papelzinho azul (azul como o céu) lá tinha o número de telefone dele. Eu já sabia, obviamente, mas ele resolveu anotar. Liguei.-Alô. -Oi, meu amor. Ele respondeu.-Por quê tá fazendo isso?-Cê tá sorrindo? Tá gostando?-Sim, claro. Dei um risinho desconcertado.-Então, tá bom pra mim.-Mas, por quê? Suspirei do outro lado da linha.-Me encontra na estação. E vá no teu quarto e procure por um envelope. E por favor, não abra.-Ei… Eu sussurrei.-Você é lindo. Ouvi a risada dele e desliguei o telefone. Estava a me desmanchar em trejeitos de cada palavrinha soprada pelo telefone. Acalmastes o pouco de mim, que estava a se enraivar. Agradeceria-lhe pelo resto da vida, só por me fazer sorrir, com tamanha besteira. Me enfiei numa roupa qualquer e fui atrás d’um ônibus que chegasse até o metrô, rápido. Estava a gostar de tudo isso, na verdade, por demasia meu coração estava a transbordar tudo que é sensação, anseio, felicidade, espera, expectativa, estava a florescer lírios e jasmins dentro de mim. Suspirava forte. Guiei meus pés para fora do ônibus agradecendo até mesmo ao cobrador, dançava quase sem querer,e e o coração pulsava ardendo em felicidade, o moço estava me segurando entre os dedos e eu, que quase sem jeito, tava virando manteiga e morrendo de amores. -Acalma-te. Murmurei para mim, tentando cessar a respiração. Eu o avistei. Ah, não. O mundo parou, e laiá, que eu estava prestes a pular nos braços dele e lascar-lhe um beijo. Segurei entre os dedos gélidos e trêmulos o envelope que nem me ousei a abrir, nem mesmo uma olhadela fiz questão de dar. Eu o vi dando outro papelzinho pro moço que estava vendendo pipoca, o menino correu tão rápido que perdi-o de vista. Ah, que me doeu o coração.
-Cê viu pra onde é que aquele menino foi? Perguntei com a respiração acelerada.
-Ele mandou te entregar isso. O homem me entregou um papel e uma pipoca, apontou seu dedo indicador para o sul, e me mandou ir em frente. -Agradecida. Respondi, saindo e apanhando o papel e a pipoca, que fiz questão de derrubar. -Por nada, menina. Sorri.O bilhete dizia. ”[…] Anda um pouquinho mais pra frente, meu amor, anda… Quem sabe você não tropeça em mim.” Estava tão distraída que nem percebi, que estava esbarrando em alguém. Não desviei o olhar.-Desculpa. Eu disse erguendo a cabeça.-Só se você me der um beijo. Argumentou.-Que? Tá louco? Tô atrás de alguém… Eu estava tão presa nos meus pensamentos, que nem percebi quem estava logo à minha frente. Olhei para ele, e olhei profundamente procurando por um pouco de ar ou de qualquer coisa que pudesse me fazer transparecer, num só segundo para concertar tudo o que eu tinha dito.-Rafael…Ah. Ele riu.-Para de rir. Seu idiota. Abaixei o rosto.-Só te desculpo, se me der um beijo.-Ah, não. Corei as bochechas. -Acho melhor, excluir essa possibilidade. Ironizava a situação, com um envelope, um papel e uma pipoca entre as mãos.Ele riu.-Quero meu beijo.-Não quer me ajudar não? Derrubei a pipoca.-Tinha que ser…-Agora vem. Ele me puxou.-Que foi? Como se já não bastasse você correndo de mim o dia inteiro… Emburrei a face.-Tu ficas linda, assim.-Assim como?-Minha, hum, bravinha.-Sua?-Minha.-Meu?-Seu. Sorri. -Não esqueci.-Do que?-Não te desculpei.-Não ligo. Resmunguei.-Liga sim.-Agora vem. Ele me puxava para dentro do trem. -Cadê o envelope? Ele perguntou.-Tá aqui, oras. -Me dê. Eu dei o envelope para ele, olhando dentro os olhos procurando por um reflexo meu, ou por alguma música que ele não havia cantado. Ambos suspiramos, estávamos colidindo, um jeito bonito de começar a amar, ele me batia a porta sempre ás três e meia da tarde de um dia de domingo, sempre. Vinha a colorir o que era o dia mais entendiado de uma semana melancólica. Meu coração transbordava. Num golpe de olhar, o menino tava bem na minha frente e eu nem pude desviar, me roubou um beijo. E ah… que beijo doce.-Masss….Rafa..el. A voz fraquejou. Como cê faz uma coisa dessas? Roubando beijo? Que coisa de menino.-Larga de graça. -Não.-Cê é teimosa.-Não.-Quer fugir comigo? -Quero. Respondi sem nem pensar, estávamos dentro do trem, com uma pipoca pela metade, dois corações ardendo de amor, e duas passagens. -Para onde vamos?-Vamos para uma casinha…-Antes de morrer, quero filhos. Disse com a voz calma.-Quero seis. -Quantos você quiser. Mas, foge comigo? Ele disse com o sorriso queimando em expectativas, esperanças, alegrias e felicidades, dava um jeito que flamejava até mesmo minh’alma. Dei a mão para ele, que estava tremendo de anseio.-Não solte.-E…acrescentei. -E morremos de amor… Ele suspirou e me deu um beijo.](http://29.media.tumblr.com/tumblr_ltpddyptbP1qhdkc1o1_500.jpg)
Um bilhetinho enfiado por debaixo da porta.(via soprosdovento)
”[…] Acordar todos os dias, e observar teu sorriso esperando por um beijo, respirar o mesmo ar que você, segurar teus dedos quentes e te guiar para a chuva. Dançar com você num soneto de poesia, ir atrás de você para cantar-lhes uma música antes de dormir, afagar-lhes os cabelos enquanto está deitada no sofá. Vou caber em ti, morar em ti, amanhã se tu quiser, mas hoje vou dormir aí.
Um beijo,
Rafael. ”
O moço me arrancou um sorriso tão grande, que eu deveria fotografar e guardar só para ele. Um ‘sim’ transbordava o meu corpo por inteiro, suspirava tanto que o coração chegava a arder em felicidade. Fui indo para a cozinha, até que na geladeira tinha um outro papelzinho azul (azul como o céu) lá tinha o número de telefone dele. Eu já sabia, obviamente, mas ele resolveu anotar. Liguei.
-Alô.
-Oi, meu amor. Ele respondeu.
-Por quê tá fazendo isso?
-Cê tá sorrindo? Tá gostando?
-Sim, claro. Dei um risinho desconcertado.
-Então, tá bom pra mim.
-Mas, por quê? Suspirei do outro lado da linha.
-Me encontra na estação. E vá no teu quarto e procure por um envelope. E por favor, não abra.
-Ei… Eu sussurrei.
-Você é lindo. Ouvi a risada dele e desliguei o telefone. Estava a me desmanchar em trejeitos de cada palavrinha soprada pelo telefone. Acalmastes o pouco de mim, que estava a se enraivar. Agradeceria-lhe pelo resto da vida, só por me fazer sorrir, com tamanha besteira. Me enfiei numa roupa qualquer e fui atrás d’um ônibus que chegasse até o metrô, rápido. Estava a gostar de tudo isso, na verdade, por demasia meu coração estava a transbordar tudo que é sensação, anseio, felicidade, espera, expectativa, estava a florescer lírios e jasmins dentro de mim. Suspirava forte. Guiei meus pés para fora do ônibus agradecendo até mesmo ao cobrador, dançava quase sem querer,e e o coração pulsava ardendo em felicidade, o moço estava me segurando entre os dedos e eu, que quase sem jeito, tava virando manteiga e morrendo de amores.
-Acalma-te. Murmurei para mim, tentando cessar a respiração. Eu o avistei. Ah, não. O mundo parou, e laiá, que eu estava prestes a pular nos braços dele e lascar-lhe um beijo. Segurei entre os dedos gélidos e trêmulos o envelope que nem me ousei a abrir, nem mesmo uma olhadela fiz questão de dar. Eu o vi dando outro papelzinho pro moço que estava vendendo pipoca, o menino correu tão rápido que perdi-o de vista. Ah, que me doeu o coração.
-Cê viu pra onde é que aquele menino foi? Perguntei com a respiração acelerada.
-Ele mandou te entregar isso. O homem me entregou um papel e uma pipoca, apontou seu dedo indicador para o sul, e me mandou ir em frente.
-Agradecida. Respondi, saindo e apanhando o papel e a pipoca, que fiz questão de derrubar.
-Por nada, menina. Sorri.
O bilhete dizia. ”[…] Anda um pouquinho mais pra frente, meu amor, anda… Quem sabe você não tropeça em mim.” Estava tão distraída que nem percebi, que estava esbarrando em alguém. Não desviei o olhar.
-Desculpa. Eu disse erguendo a cabeça.
-Só se você me der um beijo. Argumentou.
-Que? Tá louco? Tô atrás de alguém… Eu estava tão presa nos meus pensamentos, que nem percebi quem estava logo à minha frente. Olhei para ele, e olhei profundamente procurando por um pouco de ar ou de qualquer coisa que pudesse me fazer transparecer, num só segundo para concertar tudo o que eu tinha dito.
-Rafael…Ah. Ele riu.
-Para de rir. Seu idiota. Abaixei o rosto.
-Só te desculpo, se me der um beijo.
-Ah, não. Corei as bochechas.
-Acho melhor, excluir essa possibilidade. Ironizava a situação, com um envelope, um papel e uma pipoca entre as mãos.
Ele riu.
-Quero meu beijo.
-Não quer me ajudar não? Derrubei a pipoca.
-Tinha que ser…
-Agora vem. Ele me puxou.
-Que foi? Como se já não bastasse você correndo de mim o dia inteiro… Emburrei a face.
-Tu ficas linda, assim.
-Assim como?
-Minha, hum, bravinha.
-Sua?
-Minha.
-Meu?
-Seu. Sorri.
-Não esqueci.
-Do que?
-Não te desculpei.
-Não ligo. Resmunguei.
-Liga sim.
-Agora vem. Ele me puxava para dentro do trem.
-Cadê o envelope? Ele perguntou.
-Tá aqui, oras.
-Me dê. Eu dei o envelope para ele, olhando dentro os olhos procurando por um reflexo meu, ou por alguma música que ele não havia cantado. Ambos suspiramos, estávamos colidindo, um jeito bonito de começar a amar, ele me batia a porta sempre ás três e meia da tarde de um dia de domingo, sempre. Vinha a colorir o que era o dia mais entendiado de uma semana melancólica. Meu coração transbordava. Num golpe de olhar, o menino tava bem na minha frente e eu nem pude desviar, me roubou um beijo. E ah… que beijo doce.
-Masss….Rafa..el. A voz fraquejou. Como cê faz uma coisa dessas? Roubando beijo? Que coisa de menino.
-Larga de graça.
-Não.
-Cê é teimosa.
-Não.
-Quer fugir comigo?
-Quero. Respondi sem nem pensar, estávamos dentro do trem, com uma pipoca pela metade, dois corações ardendo de amor, e duas passagens.
-Para onde vamos?
-Vamos para uma casinha…
-Antes de morrer, quero filhos. Disse com a voz calma.
-Quero seis.
-Quantos você quiser. Mas, foge comigo? Ele disse com o sorriso queimando em expectativas, esperanças, alegrias e felicidades, dava um jeito que flamejava até mesmo minh’alma. Dei a mão para ele, que estava tremendo de anseio.
-Não solte.
-E…acrescentei.
-E morremos de amor… Ele suspirou e me deu um beijo.

Eu sei, meu amor, e peço-lhe desculpas por ser tão orgulhosa assim. Eu não fiz certo, eu desisti. Agora virei pó dentro da tua memória e me tornei uma alma vazia de amor, vagando por aí. Eu sei, meu amor, perdoa-me por insistir tanto em querer seguir em frente e deixar minhas malas no banco de trás do teu carro. É agora, eu senti que a liberdade não me fez tão feliz assim, não estou livre. Estou presa em lembranças, eu me transformei na chuva que te molha no meio do dia, mas eu ainda tenho um desejo ardendo no coração que você volte… Meu amor, por favor, não me deixe perder em você ou em sua memória. Eu sinto sua falta, eu sinto, eu sinto, eu sinto, eu sinto… Repito para você quantas vezes for preciso. Agora, meu peito se enfurece em tanta dor, eu confesso, troquei todos os meus amores por fantasmas. Quis mergulhar em solidão, e acabei encontrando todos os meus medos de antes, as mesmas mentiras que me queimam o peito.(via soprosdovento)
Eu queria poder estar vivendo uma vida feliz, e tentando levar meus passos até alguma esquina, ou em um jardim, observaria as flores, o bem-te-vi, beija-flor…Observaria que o céu perdeu a cor também, perdeu-se a cor…amor…afundou-se em dor. Eu. Eu afundei. Suplico-lhe que perdoe essa minha insistência estonteante no passado. Me perdoe, preciso de uma dose de você. Preciso me embriagar em sentimentos, ou preciso em embriagar de você, preciso de volte. Os meus sonhos estão se desmanchando e tornando-se pesadelos exagerados… Eu busco você. Pedaços de mim encontram-se do vazio do meu quarto, esperando que você volte e por si só, cole-os de volta em mim. Vou olhar distante e ver que sem você, meu amor, tornei-me só uma moça presa em dor. Silêncio.
Silenciei-me para sufocar o grito da alma. Sufoquei-me para não sorrir forçado, sufoquei-me no próprio veneno e no próprio medo…Agora… Agora sou só pesadelo. E eu queria, eu queria que você estivesse aqui.
Desconsiderando,
Que o sol não venha nos dar bom dia, eu ainda vou te observar com tua face de sono, ás seis e meia da manhã. Desconsiderando, que todas as palavras ou nenhumas delas, estivessem dispostas a descrever um pouquinho do quanto eu amo você, desconsiderando que meu fracasso em amores ou em amar. Desconsiderando que eu me torne um ser, sem cor e vazio, e me desmanche num brilho que transparece toda a esperança que ainda mora no meu coração, em viver em teus braços.(Source: soprosdovento)
Desconsiderando, que acordei num dia desses e comecei a colecionar as palavras tuas e observar se o amor tinha um fim…Desconsiderei. Mas acho que tudo continua guardado, num abraço apertado, num beijo não dado, num amor não correspondido, ou até mesmo no final de um arco-íris pintado de poesia, possamos dar as mãos e seguir os passos em frente…. Desconsiderando que não haja magoas, mentiras, ou receio… Considerando apenas tua presença, e contemplando as estrelas de teus olhos… E eu mergulho em você, e penso se algum dia, eu voltarei…
Posted 3 weeks ago

…Pode entrar, meu amor, vou abrir a porta para você….(via soprosdovento)
Uma voz dizia e soava como um soneto de carência. Desviei olhar para trás, estava lá, um moço tão bonito… Com os olhos claros e uma barba loura mal-feita. Sorri e quase tropecei. Uma cena extremamente engraçada, creio que ele não olhou. O moço tava lá, tocando um violino. Sim, um violino. No meio do metrô, era mais encantador ainda, dei três passos para trás e fui observar o homem. Era formoso, tinha um aspeito doce e desdenhoso. Abri um sorriso de lado. E fiquei lá parada dando umas olhadelas e sentindo toda a música que estava sendo soprada pelo ar.
-Nossa, moço, que música linda. Elogiei.
-É a poesia, menina, música é pura poesia. O homem desmanchou minha estrutura. Desviei o olhar para o teto e voltei a olhar para ele. Respirei fundo.
-O que foi? Acrescentou.
-Não sei, moço, senti alguma coisa. Mesmo assim, não devo confessar sentimentos a desconhecidos.
-Venha cá, moça, sente-se aqui. O homem me convidava para sentar no chão da estação. Olhei para os olhos azuis feito céu. Ele deu uma piscadela, sorrindo.
-Sim. Disse.
-Ás vezes, desconhecidos nos entendem tão bem, que desconhecemos tal equivoco. É…moça, sofres de nostalgias?
-Não, moço, eu sofro de nada. O nada é pior que qualquer outra coisa. Parece até que estou conversando com o meu reflexo. Me levantei.
-Não vá. Ele me puxou para baixo.
-Que direito você tem de… Não saiu. Já estava sentada no chão. Ele respirou fundo, virei o rosto e nossos olhares se cruzaram. O meu coração faleceu em amores, e eu ainda nem o conhecia…
-Costuma puxar as moças para o chão, e brincar de psicólogo? Ri.
-Não. Foi só com você.
-Então, também mente? Abri um sorriso irônico.
-Não minto, moça.
-Nem omite as verdades? Não?!
-Não. É que você, moça, você foi a única que parou para admirar minha música. Meus olhos arderam, parecia que alguém havia soprado poeira para dentro deles. Suspirei.
-O que foi esse suspiro, moça?
-Foi apenas um suspiro, oras, preciso respirar. Meu celular tocou.
-Atenda-o.
-Não. Não quero.
-O que você quer?
-Quero ficar aqui.
-Aqui?
-Aqui. Com você.
-Comigo?
-Não, moço.
-Na onde?
-Não me complica. Argumentei.
-Posso te levar pra casa? Pensei em muitíssimas coisas, o coração pulsou alto. Os dedos estavam a soar frio, a música dele estava a tocar em meu pensamento…Suspirei. Respeitei nosso silêncio e balancei a cabeça. Ele segurou minha mão, para apanhar a minha bolsa. Interrompi.
-Deixa que eu levo…
-Não. Ele se assustou.
-Você é agressiva. Ele argumentou.
-Não sou.
-É sim. Você é tragédia, é drama, anseio. Medo. Engoli minhas palavras e abaixei a cabeça, ele ajeitava o dorso, arrumando o violino que carregava. Era extremamente belo e extremamente mágico. Numa daquelas histórias em que o poeta-músico apaixona-se pela moça desajeitada.
-Gostei da música.
-Violin Romance, Beethoven.
-Ah. Tu gostas de música clássica?
-Gosto de boa música, moça. Apenas.
Calei-me. Seguimos com os passos calmos, sempre em frente, ele me dava algumas olhadelas disfarçadas para o chão e para o céu. Apressei o passo.
-Está com pressa? Ele disse com a voz baixa…baixa… que parecia estar sendo sussurrada.
-Não. Tentei manter a voz no mesmo timbre que ele.
-Me parece. Um silêncio enorme entrou dentro de mim, roubando todas as minhas palavras murmuradas e vazias, o silêncio invadiu-me o peito, e me arrancou aquilo que me restava. O encantamento enorme pelo moço que estava ao meu lado. Conheci-o agora, ou não. É daquelas sensações que o ser humano ainda não descobriu o nome. Ansiei por alguma palavra confortante, e recebi apenas um sorriso desdenhoso, não rejeitei, aliás nunca rejeitaria o sorriso de um rapaz tão belo e sábio. Queria guarda-lo num lugar, e ficar apenas para mim. Estava ardendo em desejo que ele fosse meu. Num beijo que ainda não foi entregue, ou num beijo que eu lhe entregaria antes de entrar pela porta de casa e não vê-lo nunca mais. O moço deveria ter ao menos um telefone, me envergonharia no momento de me despedir e não pediria. Ah, não. Tolice. Então o silêncio se quebrou, como uma jarra de cristal caindo no chão e desmontando-se como um vidro qualquer. Apenas com um nome mais formoso.
-Onde é tu moras? Perguntou.
-É logo ali, virando a esquerda. Seguimos os passos até a rua, e viramos. Minha casa era a azul, estava bem ali, só faltava mais uns vinte passos e meu amor ia-se embora. E talvez, não voltasse.
-Moras sozinha?
-Sim. Sozinha que até cansa… Ele deixou o passo mais leve e fez silêncio querendo contemplar alguma coisa em mim. Desviei o olhar.
-Desviastes tanto o olhar de mim. Por quê?
-Me apaixono por olhares.
-Ah é? Ele me olhou profundamente, e me fez rir.
-Gosto de gente que me faz rir.
-Eu não sou engraçado.
-Ah é, sim! Ele riu.
-Está chegando.
-Não. Já chegou. Nem percebi que estava de frente com minha casa.
-Te achei tão lindo…Eu disse. E eu nem sei seu nome. Acrescentei.
-Meu nome é Pedro, meu amor… Pedro.
-Pedro em soa poesia.
-E o seu, moça, posso saber?
-É Alice. Gostastes?
-E eu tenho que gostar?
-Claro que sim. Mas agora, tenho que entrar. Ele abaixou a cabeça.
-Ahhh…sim.
-Posso lhe pedir uma coisa? Perguntei.
-Claro.
-Queria seu telefone… Corei o rosto.
-Queria um beijo.
-Beijo não se pede.
-Na verdade, pede sim.
-Não….
-Cala a boca. Eu mandei, parecendo uma criança.
-Vem calar. E eu fui. Toquei-lhe os lábios, num instante demorado. Ele suspirou.
-Agora…
-Agora, o que?
-Agora, eu quero seu telefone… Eu ri.
-Está bem…
-Não.
-Não, por quê?
-Não gostaria de entrar? Perguntei. Ele sorriu e desviou o olhar.

Acordei num dia desses, meu amor, e acordei pensando em você. Antes de começar esse rabisco venho a lhe contar que estou completamente encantada pelo céu, nesse dia gélido. Também devo lhe contar que meu coração está ardendo em nostalgia e um pássaro que apareceu logo de manhã, cantarolou para mim que você estava a se aconchegar num braço qualquer, que encontrastes pela rua. E toma essa minha mente saber que devo ocupar-lhe apenas um pouco de espaço nesse teu coração surrado e solitário. Mas não te preocupes, que estou prestes a largar esse meu amor numa esquina vazia e me afogar num bar desses que você não chegou a frequentar. Mas não, melhor não insistir em tanta besteira assim, deleitarei-me nos teus braços o quanto for preciso para sentir-me ao menos um tanto completa, ou feliz. Absorvendo dos escombros de minha alma todas as dores, e todas as minhas desventuras.
Soubestes também que esse teu aspeito de menino sorridente, é tudo disfarce, lastimável. Desconsiderando sua fraqueza em não admitir que como qualquer outro ser humano nesse mundo tu sofres. És tão confuso que chega a me tirar do sério, não te confundas, eu o amo, amo de verdade, mas não amo para perder a minha liberdade. Sem limites. Só eu e você, engolindo o gosto do futuro e descobrindo que cabem novecentas coisas à mais numa reticências. Teu coração dói como o meu? Creio que não, que nem ao menos sabes o que é te ter entre os dedos e você fugir do coração.
Ô moço, eu te confesso que vou suplicar a sua presença até o fim de minha vida deplorável. Mas, moço, por favor, não mente pra mim. Se contar-me tudo aquilo que sofres, eu posso dizer-lhe um adeus com as palavras mansas e desmanchando em dores, mas eu vou, moço, eu vou aguentar. Não me faça viver nessa confusão. Se você me disser o que significa estar pensando em você essas horas, vou agradecer-lhe eternamente. Falando nisso, moço, eu já lhe contei o medo enorme que tenho de promessas? Uma vez prometeram-me o céu, moço, e me levaram ao calor do inferno da solidão. E doeu, moço, doeu que aqueceu minh’alma e me acalmou o coração… É moço, a calmaria da solidão às vezes faz um bocado bem.
Não sei se estou no direito de lhe dizer, mas queria beijar-te os lábios. É como se eu já soubesse o gosto teu, como se você já fizesse parte de mim, e você faz. Mesmo que depois de todo esse tempo, eu venha a lhe chamar de moço, mas cê sabes que no nosso enredo eu sou a dona flor e você o moço beija-flor, não sabes? Que tuas palavras cheguem até mim com toda a doçura que eu as escrevi, e mande-me também uma fotografia preta e branca. Antes que…Antes que eu fuga dessa cidade que até parece um antiquário e vá beijar-lhe os lábios de um jeito que você não imagina.
Oh, céus. Quanta loucura, moço, é o amor, moço, o amor tá acabando com meu coração. E te peço no final dessa carta, que você mande algum pássaro vir cantar para mim, logo pela manhã e de preferência numa manhã de sol. E moço, antes que eu me esqueça, deixa a cópia dentro da tua chave numa plantinha que pela madrugada, vou buscar-lhe para fugirmos e morarmos numa casinha frente ao mar e acredite, meu bem, vamos viver com muito amor. Num é não?!
Por favor, moço beija-flor.
Responda-me quando puder e saibas que amo-te, de todas as formas cabíveis de se amar. Cuide-se para mim, moço, e espera eu vou…

Eu não estou lhe suplicando alguma coisa. Não. Não estou. Talvez, eu esteja completamente apaixonada pela minha solidão, ou pela minha tristeza. Eu sou tão frágil aos olhos teus. Sou frágil num golpe ou num desvio de olhar, ou numa respiração funda. Não estou lhe pedindo que fique e nem suplicando seu amor. Eu não sei. Está me doendo na alma, e minha alma é frágil, você foi se aconchegar em outros braços e esqueceu-se de mim, ou talvez nunca lembrou. Estou acomodando apenas um espacinho pequeno nessa tua memória. Virei pó de fotografia queimada, virei o pó do livro da estante.(via soprosdovento)
Virei nostalgia, que aquece a mente quando o seu peito fica congelado. Desmancharam meu sorriso, mas eu fui dei alguns passos para frente e mais uma vez me apaixonei pela minha tristeza. E agora você quer me destrancar e você quem não sabe que tornei-me um relicário e fiz questão de jogar a chave no mar.
Virei borboleta, vivendo numa eterna met(amor)fose. Quebrastes o pouco de mim que havia no chão sujo. E dói. Cortaram-me as asas, e me fizeram desaprender a voar. Agora sou apenas fragmentos de um ser humano que insistiu em amar. O rancor que eu vinha sentir, também foi-se embora. A dor e a solidão permaneceram a esquentar meu peito nas noites gélidas e solitárias. Doeu. Mas não se preocupe eu vou transparecer nos olhos teus, e desmanchar-me na minha própria anestesia. Recriei à mim. Agora sou inverno. Apenas frio e nada mas. Vou sorrir melancolicamente. Vou engolir em seco as palavras ásperas que jogaram contra mim. Vou lutar contra meu próprio fantasma. O fantasma da minha sombra.
A minha sombra borrada, que aparece nesse meu presente infeliz.
Uma carta, que talvez, nem chegue.
Olha só, meu amor. Escrevi-lhe três cartas e tenho certeza (absoluta, absolutíssima) que nenhumas delas chegou a você. Ah, vou perdendo minha pouca paciência. Cê sabe que num estalo de dedos, eu fico extremamente intocável. Desse jeito nosso amor está ficando -incomunicável- também.(Source: soprosdovento)
Talvez, nem tenha passado por essa minha cabeça cheia de palavras que você não queria mais me responder, ou que não me queira mais como sua amada. Será? Será? Será? Ixi! Tô ficando louca.
Esvaziei minha alma hoje, estou tão leve, meu amor, tão leve que voaria até você, daria-lhe um beijo e seguiria meus pés bailarinos até aqui em casa de novo.
Tô hiperativa! Essa paixãozinha anda me estonteando as madrugadas. Acabei me esquecendo de fazer os deveres e de escrever para outras pessoas. Aquela caligrafia de menina de olhos esperançosos esperando por resposta. Cê sabe, né não!?! Sou só menina, moço, só menina. Nem sei se tu existes. Ah! Tolice! Existe sim, e além de tudo é meu.
Sou tão possessiva, que defeito mais deplorável. Eu sei que você não gosta de ciúme e que tampouco vai gostar. Mas, eu juro que vou parar. Meu coração tá se entristecendo, meu amor, tá suplicando pelo seu cheiro e por suas palavras, Ô meu amor, tá doendo. Por quê diabos você não me responde logo? Moramos longe. Não cheguei a pensar nisso. Logo, logo, eu caio no sono e esqueço de deixar mais essa carta pra você. Vou te contar uma coisa: Hoje eu sorri. Mas foi de verdade, sabes? Sorri pra vida! Sorri para o céu que tava tão azul… Talvez seja o amor. Essas borboletas, tão inquietas dentro do meu estômago. Até tontura me dá, meu amor. Ah. Me socorre. Tô ficando louquinha de saudade.
Oh, meu bem. Juro-lhe que se esses rabiscos não chegarem até você, vou me atirar da janela. Ah, que mentira. Não sou tão tola assim, é só drama, talvez com um drama essa carta chegue logo para sua mão. Logo, logo vai borrar essas minhas palavras desesperadas de tantas lágrimas que estou a derrabar. Por favor. Não leve a sério, nada do que eu disse. Acho que eu tô enlouquecendo…de amor.
De sua menina desesperada por tua resposta.
Posted 3 weeks ago