Meu coração estava desmanchando em pedaços. Todos derretidos e jogados ao chão, queimando com as palavras ásperas que o passado insistia em me dizer. Cortava-me a alma, desmanchava-me em borrões do azul do céu. Eu estava a sonhar com cores e o céu se colocava a chorar. Desviei meu pensamento e tentei acordar esperando que alguém pudesse me ouvir de um jeito ou de outro. Por um grito sufocado em mim ou por um sussurro ainda não dito. Relaxei meu dorso em meu sofá velho, e eu estou encarecidamente apaixonada pelo meu vento boreal que surge quando eu estou a surtar de tanta angústia, mas minha fé continua ardendo em meu peito e me fazendo seguir em frente mesmo com o coração sangrando entre os dedos. Eu continuo deitada com os mesmos velhos medos, esperando um pássaro entrar pela janela e cantar pra mim. Eu sou sempre tão pouco, sempre tão frágil. As pessoas partem e me machucam e eu suporto todas as dores, suporto até a aquelas que não são minhas. Mas um dia, um dia eu viro flor e com certeza beija-flor vai vir todos os dias trazer um pouco de alegria e encanto na minha vida de melancolia. Assim espero e que assim seja. Ás vezes desejo gritar teu nome e soprar aos sete ventos que sinto sua falta e que procuro-te em todos os horizontes, ás vezes espero que você simplesmente bata à minha porta num toc-toc diferente, numa batida agressiva de ”abre-logo-que-eu-quero-entrar” juro-lhe ouviria seus passos no meio da rua, e observaria-o pela janela para abrir a porta o mais rápido possível e agarrar-te num abraço generoso.Eu preciso ter cuidado com o que desejo, preciso ter cuidado em alçar o voo e acabar indo para distante de mim, ir sempre naquele anseio de levar a dor pra longe e acabar perdida dentro dela novamente. Mesmo que num segundo sequer eu esteja gostando e entrando numa grande contradição, e que muito embora eu saiba que você não me sente batendo em teu peito voraz. Suporte-me com esses pedaços de vazio e de rancor do passado, se quiseres, suporte também esse meu amor imenso por você e suporte também as dores da saudade. Se puderes leve minha dor para longe também. E então no mesmo segundo que meu peito gritava em desespero alguém batia na porta no mesmo toque que eu havia desejado. Olhei pela janela e não, não era você. Era alguém que me surpreendestes ainda mais, alguém… alguém… Quem? Luiz. Nunca tive uma surpresa tão confortante, então abri a porta e segui-lhe os passos até o rapaz de que tinha uma barba mal-feita tão clara quanto a cor dos olhos e da pele. Era um perfeito anjo. Observei-o e olhei profundamente nos olhos do rapaz. Dei um sorriso sem jeito, logo em seguida disse a ele algumas palavras.-O que te traz aqui, Luiz? Disse ajeitando minha roupa.-Eu estava sentindo sua falta. Ele me respondeu, indo em direção ao sofá e sentando devagar. Silenciei-me, fui até a cozinha, e de lá gritei se o moço queria um café. Respondeu que sim. Esquentei o café, e entreguei-lhe à mão. Quase derrubou.
-Continua tão desastrado… Fiz gracinha.
-É verdade, e só piorei […] Começou a contar das coisas que estavam acontecendo e eu fui escutando-o como se cada palavra que saísse da boca do rapaz fizesse o maior sentido e penetrasse em mim. Respirei fundo.
-Mas eu não vim te fazer essa visita para te contar da minha vida e nem para te dizer dos meus problemas. Eu não sei bem, só sei que algo me trouxe aqui. Parecia que um anjo sussurrava em meus sonhos para vir aqui, para lhe fazer bem… Disse com toda serenidade que havia no coração.
-Eu nunca pensei que você voltaria, guardei tantas esperanças dentro de mim. E você? Você simplesmente sumiu, Luiz, eu te gosto tanto mas cê sabe o quanto eu sou frágil e o quanto me dói a falta que você faz. Mas se quiser, eu te aceito, tem espaço para você.
-Espaço? Onde?
-Aqui no meu coração, meu amor, bem aqui dentro de mim. Ele abriu um sorriso que ia até a orelha. Era um risinho sedutor, Luiz sabia como me fazer derreter. Meu coração pirava.
-Agora, eu preciso ir. Vou te ligar mais tarde ou talvez venha aqui para jantarmos, o que me diz?
-Tá tudo bem então. Seguimos os passos até a porta, eu a abri e ele estava dando seu último passo para fora, até que saiu sem querer:
-Eu sinto sua falta, também! Ele virou o rosto que parecia transbordar esperança, aquela barba mal-feita tocou me o rosto dando um beijo em minha bochecha que já estava vermelha feito batom. E antes que ele pudesse ir, dei-lhe um abraço tão forte que o rapaz até ficou sem jeito. Fechei a porta sem saber como me despedir, entrei em casa e fui para o sofá suspirar com minha sala perfumada de Luiz…
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
(Conto)
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