Morrendo delicadamente.
-Shiiiii…Eu gosto de silêncio. Sussurrei para a minha cabeça, que gritava em dor. Tornei-me comum aos olhos teus, tornei-me um anseio por desejar um alguém qualquer. Virei um silêncio latejante entre todos os poros da minha pele, um medo que vinha a arrepiar minh’alma, estou a transparecer em música, morrendo delicadamente em cada nota sendo soprada pelo meu vento boreal. E vejo que estou a observar que num instante de olhar ou num desvio da tempestade, eu coloco a desmanchar em medos e em palavras sufocadas pelo meu silêncio atordoante. Fechei todas as minhas janelas, para morar dentro da minha escuridão. É, eu sei. Isso é errado, caminhar com os pés cansados e cheios de medos, um passo para frente e três para trás, não me parece a melhor solução. Mesmo que eu pudesse inventar trejeitos para sair suficientemente viva de qualquer lucidez silenciosa vivenciada em meio de tanta agonia ou ilusão.
Estou a vender almas que nem pertence à mim, almas carregadas entre meus braços, sem forças que gritam por descanso. E minha mente que não cala tua voz gritante em todos os cantos da casa. Uns anos depois pensei que viesse a adormecer todas as dores e percebi que só vieram a aumentar e a dor mais. Sufoco todo o meu medo esplêndido em tantas as palavras que chega a me afogar dentro do meu mar, desejando que alguém me salve do nada que eu me tornei. Beber trezentos copos de café cheios de açúcar para ver se adoça um pouco a minha vida. -Um pouco mais, sempre mais. Transborde. Mesmo que o café seque a garganta que grita por mais doçura, ou por mais cor numa fotografia preta e branca. Minhas palavras soam confusão. Eu estou a soar tudo aquilo que sempre tive medo.
Me tornei uma prisioneira dos rastros do passado e do meu medo de lembranças. Tornei-me aquilo que sempre temi, um fantasma protestante e flamejante do futuro. Um medo imenso daquilo que ainda está por vir. Tornei-me a parte mais sublime de um receio por seguir em frente, estou a virar poeira sendo soprada pelo vento. Esperando que num canto qualquer, alguém me encontre e me transforme na música que costuma vir do seu timbre de voz. Talvez, por que seja de amor que meu coração pulsa, e talvez seja falta de amor, toda essa saudade e esse receio que meu coração insiste em gritar.
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