Eu te vi se afastando de mim, não aceitando os meus defeitos, se defendendo das minhas palavras. Eu estava lá assistindo seu coração partir. E eu estava lá juntando todos os seus pedaços. Como um vidro quebrado. Você tentou me colocar no chão, mas eu resisti. E você estava indo para o desconhecido, sua alma se afundava na própria escuridão. Seu sorriso não era o mesmo, mas eu estava lá, para levar sua dor para longe. E você passou a primavera inteira, com a chuva presa em teus olhos.
Abristes aquele sorriso tempestuoso, e eu fiz com que sobrevivesse ao teus medos, fiz com que, de certa forma, pudesse me amar -novamente-. Eu não visitei outros lugares, nem conheci novas pessoas, mantive o fogo aceso dentro da memória, fui tão estúpida em acreditar que poderia haver amor, onde só há rancor.
Eu fui para distante, e me honraria ir mais longe ainda. Mesmo depois de todos esses anos, você preso à mim. E vice-versa. Depois de tanto tempo beber uma dose de cachaça para apagar a dor. Apagar os sonhos, que construímos juntos.
Antes que eu pudesse dizer adeus, antes que, por um momento eu imaginasse te deixar. Mas antes, eu deveria tirar todo o amargo do seu peito. Tirar toda a irrelevância que colocaram em teus pesadelos. Mas antes mesmo de você ir,eu já estava só. E já me via como o problema.
E talvez, um problema sem solução.
"Olha, eu andei observando o dia se fundir, observei o crepúsculo, o amanhecer. E vi que dentro de seus olhos, escondia-se a noite. Veja bem, sabes que eu gosto de você, menino. Sabes que eu admiro a poesia que tem em teus olhos. Admiro do jeito que você sorri, escondendo tuas lágrimas. Admiro como consegue rir, tirando a máscara de certas pessoas. Sabes, menino, eu te admiro…E te admiraria só por existir."
Nenhum comentário:
Postar um comentário