Saudade que arde no peito, e que se aprofunda na memória. Saudade. Saudade. Sentir falta daquilo que não viveu, sofrer por aquilo que nunca foi teu. Sonhar. Imaginar. Sentir. Sen-ti. Sem ti.
E desde quando liberdade virou saudade? Desde quando para se voar é preciso limite? E desde quando, menino, virou homem? Assim tão depressa? E que esse sentimento voraz não devore teu aspeito de menino-homem. Que essa saudade não corroa tua astúcia, e teu calor. A única coisa que tens a fazer é dançar com a saudade, e admirar o céu. Observar que assim como você, as estrelas morrem. Observar que teu peito sangra, que teu amor agora não se passa de mais uma memória acomodando-se em minha mente. E na sua também.
Saudade de teu cheiro, e de teu olhar de quem estava querendo me cuidar, de quem estava ali sempre eu precisasse. E deveria ser assim, ao menos. Eu andei pensando em te ligar, mas acabei desistindo.
Que coisa clichê falar sobre o quanto eu sinto sua falta, e blá blá blá. Não sou assim, e creio que a culpa seja unicamente sua.
É como se eu andasse de pés descalços em brasa quente. Como se alguém estivesse esmagando meu coração nesse momento. Quantas dores terei que sentir, até matar esse meu orgulho? Talvez, nenhuma. Não mas.
Eu voltaria para lhe pedir desculpas, para te contar de como o céu está cinzento. Voltaria para te fazer um café novo, por que sei muito bem que você continua naquele cafézinho requentado, e que obviamente fora sua mãe que preparou. Enquanto você estivesse deitado no sofá, meus olhos caminhariam teu corpo inteiro, só para ver se tudo corria bem. Quanto exagero! Quanto amor! Eu voltaria só para parar de escrever essas cartas melancólicas p’ra tu. Voltaria só para lhe fazer um afago, um chamego, um carinho de madrugada. Para poder te acalmar, quando tiveres um pesadelo.
É uma saudade que me destrói. Machuca. Corrói. Não quero-a, não insista. Desejo que essa saudade vá logo. E que venha à você. Venha pra mim, e que fique por mim também. Que sacrifique tuas dores, e as lembranças ruins, que tua índole graciosa, venha encarecidamente me cuidar. E sussurar em meu ouvido:
-Seja minha… E que eu me derreta em amores, quando ouvir essas palavras sendo sopradas em mim… E que eu me derreta de amores, só você estar aqui. E fazer parar de doer. E fazer, com que por fim essa saudade se aquete. E que cesse junto à nossa respiração.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Saudade.
Mesmo que eu pudesse compreender os anjos.
Não caberia à mim, entender você. Oh, meu amor, veio meio sem jeito, e me suplica respostas. Não entendo nem à mim, rapaz. Eu sou toda perdida, toda desconcertada.
Tu és um anjo, meu amor, e disso eu já estou cansada de tanto saber. Pois em sã consciência, quem dera eu, compreender a língua dos anjos.
_Sejas meu. Murmurei. Esperava tua resposta como se esperava o sol se pôr.
Que gostoso seria, se você estivesse aqui para me ver suspirar. Observaríamos o céu, meu anjo. Você ainda cheira à esperança. E se queres saber tenho planos para hoje. E o plano? Pintaremos um arco-íris poético em nosso quintal bordado de flores. Tuas asas, poderiam se juntas as minhas, e poderíamos voar para longe. O que me diz?
Pode entrar, meu bem, a porta está aberta.
Por enquanto ela continua aberta, desconhecendo tamanha dor. Hoje eu observei o dia nascer, e poderia te contar o quão isso foi bom. Hoje não pretendo me deitar e perder o dia, já que perdi a noite inteira tentando escrever algo bom. Pode entrar, meu bem, colocarei uma música para dançarmos. E creio, que você irá adorar. Alongarei meu corpo, até a cozinha para fazer um chocolate quente para nós dois. O que acha de um filme mais tarde? Sei que tu gostas. E farei de tudo para lhe confortar, nem que seja por hoje.
A minha janela, está cheia de flores, e essas flores andam iluminando meu dia. É tanta inquietação, é tantos planos. Hoje me permitirei que o sol me doure, e que queime também minhas dores. E que tua leveza, e tua serenidade entre junto com você por aquela porta.
Vou voar feito borboleta. Vou sentir. Andar. Suspirar. Hoje. Hoje eu me permito, que a felicidade venha junto a brisa, e que entre pela janela entre-aberta. A casa é sua, se quiseres.
Deixa de ser insolente, rapaz! Entre logo por essa porta, por que aqui vive alguém que muito quer te amar.
Amanheci em prantos, faltando-me o ar. Suspirei a tristeza que veio desde o (quase) pôr do sol que fez questão de se entristecer junto à mim. Tudo está pendendo a cor, e receio que mais uma vez, estejamos sendo pintados preto e branco.
Não era assim. Decepções e lonjuras me entristecem e fazem tudo a minha volta, viver em plena melancolia. Continuo a tentar me enganar o pensamento, ou até mesmo em ir dormir. É a terceira noite que eu não durmo. O receio? É de sonhar com você, e amanhecer na expectativa em plena dádiva de rancor. E sem dúvidas, não será uma noite em lágrimas, ou banho que ’lave a alma’, que vai me fazer esquecer de todo mal que vem à causar-me. Procurei o ar, e não encontrei. Na verdade, parecia encontrava-me em uma lagoa de lágrimas. Oxigênio em uma lagoa de lágrimas salgadas, e dóidas?
Dói um bocado, e um bocado não é pouco. O que é pouco pra você? Pouco é frescura. Pouco é bobagem. Conheço-te, assim, como conheço a distância de minhas palavras. E o quanto elas te fazem pensar em mudar um pouco tua índole de rapaz-não-liga-pra-nada. Uma hora, e que logo sejas, tu aprendes a valorizar. Aprendes a amar também e sinta o quanto o vazio é doído. E que pouco, não é bobagem.
Escassez de sentimentos. De palavras. De carinho. Embriaguei-me em dores, e analgésicos e se tu queres saber, não funcionaram. O vislumbre do teu sorriso intrépido anda me perturbando às madrugadas. Maldade! Como se não bastasse minha falta de sono, o rapaz ainda vem me perturbar no comecinho da manhã.
Meu peito agora está armado novamente, protegendo-se de qualquer um. E perdoa-me, coração, por ser tão incapaz de cuidar de você. Faltam-me tantos os pedaços, que nem eu mesma estou me encontrando.
Veja só a tempestade que está minha cabeça. Tanta bagunças, ressentimento, memória, tentativas continuas de esquecimento. Uma dose de desapego de lá, uma de desamor do outro lado. Mas, é assim, aprendi a conviver com minhas dores e com meus amores reprimidos.
Venho à me desculpar por ser essa linha torta, errante, errada. Perdoai-me por ser esse texto sem desfecho, um poema sem rima, um poeminha sem graça, por ser essa reticência e querer sempre continuar o que já deveria ter acabado. Enfiarei-me em um livro surrado, ou em doses excessivas de: observar o dia.
Oras, serei apenas eu. Uma versão um pouco mais velha, e um pouco mais machucada, também. Corroendo-me por palavras, e sendo devorada por finais (in)felizes.
Liberdade chamou meu nome, e me entregou um par de asas para voar.Nunca me senti tão livre, e o céu, em sã consciência nunca pertenceu tanto à mim. Alguma voz na minha cabeça fica dizendo: Voa, voa, voa! Mas vá para longe, tão longe para que tu possas, se perder em ti. E quando voltar: Transborde esperança! E então obedeci.
Acabei me perdendo no próprio caminho que construí, me perdi no meu céu. Mas, os pássaros, enfim me ajudaram a me encontrar. E sem querer me encontrei em você. E a dor que estava congestionada no meu peito, o teu sorriso fez questão de apagar. E agradecer-te por me aliviar das dores do mundo.
Saudade gritou meu nome! E não pude deixar de atender, fingi surpresa. Oh, céus. Quanta melancolia me trouxestes. Volte, liberdade, volte e traz o desdém do sorriso do menino novamente, também! Saudade roubou minhas asas. Saudade roubou minha sanidade. Enraivei-me. Uma voz doce, soava em meu ouvido por detrás.
-Shiii, eu estou aqui. Dizia. Assustei-me.
-E quem lhe trouxestes pra mim? Perguntei, observando o vislumbre do teu rosto.
-Foi teu beija-flor…
-E desde quando beija-flor, me segue? Perguntei, desconfiada.
-Desde quando você virou flor. Ele dizia com a voz gentil.
-Virei é? Sorri, desconcertada.
-Virou.
-E a minha liberdade, minhas asas, e essa saudade?
-A saudade passa, menina. E sua liberdade? Sua liberdade está no teu coração e suas asas, elas estão aí, na tua imaginação. Respondeu, sorrindo.
Um ar gelado entrou pela janela, mas o céu permanece azul. Assim como teus olhos. E as nuvens começaram a chorar. O vento me acariciou, e cantou feito pássaro. Eu consigo te sentir, não consigo sentir o cheiro de seus passos e o cheiro do seu casaco e mesmo que eu muito desejasse, sua voz já não ecoa mais mim. Criei um véu entre meu céu e meu inferno, entre meus medos e devaneios. Criei um véu entre minha sombra e minhas dores, e um véu entre você.
Talvez sejamos apenas duas almas tentando livrar as dores da mente, tentando se arder em desejo e sendo movidos pela a incerteza do coração. Não eu. Não mas. Escolhi o melhor de todos os caminhos reluzentes que eu poderia seguir. Escolhi a razão com a consciência limpa feito aquário.
Mesmo que meu peito queime em delírio. E que minhas palavras não sejam o suficiente para lhe confortar em um lucidez que transborda o silêncio da desilusão. Daríamos as mãos, se você quiser, poderíamos ser serenidade, leveza, calor. E você seria o sol de todos os meus dias cansados.
Nunca fui muito boa em me despedir ou em dar adeus, mas tantas vezes fui obrigada. Espero que recite junto à mim o nosso último soneto de poesia e que nossa distância se quebre no desconhecido infinito. Estou sendo precipitada e sofrendo um bocado antes, só para não sofrer depois. O início do fim, o início de ilusão e da desventura.
E que eu me torne bailarina para cambalear em cada passo meu um pouco de poesia. Colocarei meu vestido florido e serei um pouco mais eu, desde hoje. Desde agora. Vou desatar aquele laço que nos juntava e me deitar no chão num fim de tarde qualquer. Frequentar a praça que eu costumava ir. Imaginarei-me em um céu vazio, menina passarinho voando baixo. Abaixando o voo para evitar grandes quedas e joelhos machucados. Ainda me vejo na necessidade de me apaixonar a cada mais só que dessa vez, por mim.
Sobrevivendo numa única esperança de ver o sol nascer, mais uma vez. Cantes para mim a poesia que o vento cantou, soprou, e também enraivou. Sou catavento, sou bailarina que espera soldado de chumbo se usar à dançar.
Tropecei e acabei num canto qualquer entre: Silêncio e amor. E fiz questão de me afundar em mim, em um suspiro do começo de manhã. Ventania acompanhando o meus passos desajeitados e imprecisos. Acabei caindo em um buraco escuro de nostalgia. Se me permite, chamarei-o para dançar junto à mim também. Não me acho no direito de dançar sozinha, chamarei-o no começo de noite para vir dormir comigo também, para assistirmos um filme melancólico, ou uma comédia que nos faça rir até que nossos estômagos gritem de tanta agonia. Levarei você no meu quintal para podermos respirar um ar puro, e nos beijarmos num tropeço meu. Eu sei que você não trocaria um sorriso por uma dose (dupla) de desapego. Bem eu que sei, tantas as coisas suas, e você tampouco sabe de mim… E eu não falo, falo porque sei do teu gosto imenso por mistérios. De querer devora-los a cada nova histórinha para contar, ou a cada suspiro que eu der por ver teus olhos através dos meus. Vejo que percebestes minha mania de pequeneza, cá entre nós, é só um jeitinho bonito de falar. Até porque prefiro que tudo seja grande, que sejas intenso. Se é que tu me compreendes. E mesmo que esteja à contar os sete ventos tudo o que venho a sentir, sei bem que você ainda vai gostar de mim e que me ama a cada palavra minha. Vejo em teus olhos, e entendo o quanto seu ar de rapaz sério, é só disfarce. E vou confessar-lhe que eu estou um bocado feliz em saber que estou a respirar o mesmo ar, que o amor da minha vida. Se é que posso chamar-lhe assim, quero ver teu sorriso brilhar cada vez que eu disser: -Eu te amo. Tenho certeza que vai virar o rosto e pensar em como poderia me dizer o tanto que seu amor é recíproco. Vai virar o rosto e negar que me ama também, mesmo que eu possa ver seu peito queimando em vontade de me dizer o mesmo. Sereníssimo, meu caro, sereníssimo. Serenidade faz parte do meu vocabulário das palavras bonitas e cheias de afeto meu. Mas vamos, do meu lado é teu lugar, minha poesia vai te aconchegar cada vez que você precisar, grite meu nome e assuma que me ama. Vá.
-Olhe para mim, meu amor, vou ali voar, queres ir comigo? Perguntei.
-Vou onde você for. Respondeu, tropeçando as palavras.
Beijei mais uma vez meu silêncio e esperei se ele se faria o favor de me beijar os lábios. Não se moveu.
-Olhe cá, que diabos que lhe pega, que você não vem me beijar logo? Parece até que tenho que lhe implorar alguns afagos. O rapaz apressou os passos, e também não estava muito distante de mim, logo chegou. E beijou-me os lábios.
O tempo passa e sua fotografia continua ao lado da minha cama. Você ainda sente minha presença em teu coração? Levantarei minha voz, e calarei-me num beijo teu. Um sentimento bonito continua dentro de mim, e esse sentimento vai crescendo toda vez que faço questão de abrir meus olhos. Estou guiada pelo tique-taque impertinente do relógio.
-Eu gosto de você, eu gosto, eu gosto. Repetia sucessivamente, até que você por fim pudesse me ouvir nas maiores das minhas loucuras, sendo descritas em (meras) palavras. Acentuei seu cheiro no meu corpo também, fiz questão de comprar um perfume igual ao seu e perfumar meu quarto, só para ter um pouquinho mais de você. Se é que vocês ainda tem um pouco de mim em você. Te prometo ficar mais um tanto, e lhe afagar os cabelos, mas olhe cá, perceba o quanto te gosto e o quanto suplico sua presença, ir embora não é um ato muito admirável. Você vê as estrelas? Um dia elas perderam todo esse brilho transluzente. Mas, antes, elas vão iluminar o caminho de tantas pessoas… Inclusive à mim. Borrei minha folha de papel, com minhas lágrimas entristecidas. Mas, olha só, não se preocupe só preciso de um sorriso torto, um abraço desconcertado, só preciso de mais uma dose de você. Sem fazer rodeios ou embolar todas as minhas palavras, como numa bola de neve. Quebrei minha regra em não chorar logo pela manhã e convenhamos quem é que nunca chorou só por ter acordado mais uma vez com o peito carregado de dor? Todas as regras, tem exceções. Num anseio de querer amar também e de desejar que sejas recíproco. Reciprocidade é algo que eu desconheço. Tolice! Tolice se contentar com o quão meu amor será recíproco ou o quanto devo adoçar meu chá das quatro. Calei minha voz e fiz questão de morar dentro do meu terno silêncio, o silêncio que me abraça. É óbvio que eu não disse tudo o que deveria, tampouco pude contar-lhe um terço desse amor vulnerável e insensato que sinto dentro dessa minha pobre alma. Alma cansada, e coração cheio de batimentos ritmos com sonetos de poesia. Guiei-me para o horizonte e fui em frente para deixar a felicidade me embriagar. Quanta mesmice! Que menina monótona. Como se já não bastasse ter que ler essas coisas clichês todos os dias, você me vem com a história que: -Oh, céus. Você faz meu coração palpitar. Extraviei uma carta que seguia para o norte, e oh, acabei me lembrando que sua casa fica no sul, que tolice a minha não!? E se eu tivesse um desejo nesse momento seria assinar no final de cada palavrinha que venho à escrever, o quanto eu te gosto. E uma voz calma fez questão de soprar.
-Eu gosto de você, também. Poderia ser muito tarde para me dizer tal coisa, ou talvez, muito cedo. E de qualquer forma isso é tão recíproco quanto a lua se apaixonar pelo mar. Ou a chuva se apaixonar pelo sol. E lembrar-me de pintar um arco-íris multicolorido que só sai, depois um grande vendaval. Mas eu prometo ficar mais um pouquinho, só para me deleitar entre seus braços. E eu desejo do fundo da minha escuridão que você prometa ficar também. Porque se for para gostar, se for para amar, tem que que me amparar e cuidar de mim, só não prometo lhe cuidar tão bem, já lhe disse sou menina, não sei me cuidar sozinha. Eu deveria te dizer cada detalhe do meu dia, doando-lhe afetos o tempo inteiro, mas eu apenas sorri. E fiz o grande favor de guardar aquela ilusão num potinho só para ver se parava de doer, e se acreditares em mim, parou mesmo de doer. Talvez eu me encontre nas tuas entrelinhas num bilhetinho dobrado dentro do bolso da sua calça.
(Conto)
Meu coração estava desmanchando em pedaços. Todos derretidos e jogados ao chão, queimando com as palavras ásperas que o passado insistia em me dizer. Cortava-me a alma, desmanchava-me em borrões do azul do céu. Eu estava a sonhar com cores e o céu se colocava a chorar. Desviei meu pensamento e tentei acordar esperando que alguém pudesse me ouvir de um jeito ou de outro. Por um grito sufocado em mim ou por um sussurro ainda não dito. Relaxei meu dorso em meu sofá velho, e eu estou encarecidamente apaixonada pelo meu vento boreal que surge quando eu estou a surtar de tanta angústia, mas minha fé continua ardendo em meu peito e me fazendo seguir em frente mesmo com o coração sangrando entre os dedos. Eu continuo deitada com os mesmos velhos medos, esperando um pássaro entrar pela janela e cantar pra mim. Eu sou sempre tão pouco, sempre tão frágil. As pessoas partem e me machucam e eu suporto todas as dores, suporto até a aquelas que não são minhas. Mas um dia, um dia eu viro flor e com certeza beija-flor vai vir todos os dias trazer um pouco de alegria e encanto na minha vida de melancolia. Assim espero e que assim seja. Ás vezes desejo gritar teu nome e soprar aos sete ventos que sinto sua falta e que procuro-te em todos os horizontes, ás vezes espero que você simplesmente bata à minha porta num toc-toc diferente, numa batida agressiva de ”abre-logo-que-eu-quero-entrar” juro-lhe ouviria seus passos no meio da rua, e observaria-o pela janela para abrir a porta o mais rápido possível e agarrar-te num abraço generoso.Eu preciso ter cuidado com o que desejo, preciso ter cuidado em alçar o voo e acabar indo para distante de mim, ir sempre naquele anseio de levar a dor pra longe e acabar perdida dentro dela novamente. Mesmo que num segundo sequer eu esteja gostando e entrando numa grande contradição, e que muito embora eu saiba que você não me sente batendo em teu peito voraz. Suporte-me com esses pedaços de vazio e de rancor do passado, se quiseres, suporte também esse meu amor imenso por você e suporte também as dores da saudade. Se puderes leve minha dor para longe também. E então no mesmo segundo que meu peito gritava em desespero alguém batia na porta no mesmo toque que eu havia desejado. Olhei pela janela e não, não era você. Era alguém que me surpreendestes ainda mais, alguém… alguém… Quem? Luiz. Nunca tive uma surpresa tão confortante, então abri a porta e segui-lhe os passos até o rapaz de que tinha uma barba mal-feita tão clara quanto a cor dos olhos e da pele. Era um perfeito anjo. Observei-o e olhei profundamente nos olhos do rapaz. Dei um sorriso sem jeito, logo em seguida disse a ele algumas palavras.-O que te traz aqui, Luiz? Disse ajeitando minha roupa.-Eu estava sentindo sua falta. Ele me respondeu, indo em direção ao sofá e sentando devagar. Silenciei-me, fui até a cozinha, e de lá gritei se o moço queria um café. Respondeu que sim. Esquentei o café, e entreguei-lhe à mão. Quase derrubou.
-Continua tão desastrado… Fiz gracinha.
-É verdade, e só piorei […] Começou a contar das coisas que estavam acontecendo e eu fui escutando-o como se cada palavra que saísse da boca do rapaz fizesse o maior sentido e penetrasse em mim. Respirei fundo.
-Mas eu não vim te fazer essa visita para te contar da minha vida e nem para te dizer dos meus problemas. Eu não sei bem, só sei que algo me trouxe aqui. Parecia que um anjo sussurrava em meus sonhos para vir aqui, para lhe fazer bem… Disse com toda serenidade que havia no coração.
-Eu nunca pensei que você voltaria, guardei tantas esperanças dentro de mim. E você? Você simplesmente sumiu, Luiz, eu te gosto tanto mas cê sabe o quanto eu sou frágil e o quanto me dói a falta que você faz. Mas se quiser, eu te aceito, tem espaço para você.
-Espaço? Onde?
-Aqui no meu coração, meu amor, bem aqui dentro de mim. Ele abriu um sorriso que ia até a orelha. Era um risinho sedutor, Luiz sabia como me fazer derreter. Meu coração pirava.
-Agora, eu preciso ir. Vou te ligar mais tarde ou talvez venha aqui para jantarmos, o que me diz?
-Tá tudo bem então. Seguimos os passos até a porta, eu a abri e ele estava dando seu último passo para fora, até que saiu sem querer:
-Eu sinto sua falta, também! Ele virou o rosto que parecia transbordar esperança, aquela barba mal-feita tocou me o rosto dando um beijo em minha bochecha que já estava vermelha feito batom. E antes que ele pudesse ir, dei-lhe um abraço tão forte que o rapaz até ficou sem jeito. Fechei a porta sem saber como me despedir, entrei em casa e fui para o sofá suspirar com minha sala perfumada de Luiz…
Escuridão.
Numa parte tenebrosa e obscura desse meu coração, eu venho a cortar-lhes que toda a minha dor é surpreendentemente inspiradora. E cada rastro de melancolia e de medo, eu vejo a afogar-me entre meu anseio pela solidão. Voando no céu esquecido da madrugada, observando todos os meus fantasmas olhando-me e gritando a minha volta. Sou noite. Sou liberdade. Encantei-me por nascer entre seus lábios, ou morrer dentro de você. A escuridão perdeu-se dentro de mim e num desvio de olhar fez o favor de encontrar-se e seguir seu caminho devastado por uma luz qualquer. Abandonou-me, escuridão. Abandonou-me que num rastro de luz transpareceu, morreu, renasceu.
(Conto)

Um bilhetinho enfiado por debaixo da porta.”[…] Acordar todos os dias, e observar teu sorriso esperando por um beijo, respirar o mesmo ar que você, segurar teus dedos quentes e te guiar para a chuva. Dançar com você num soneto de poesia, ir atrás de você para cantar-lhes uma música antes de dormir, afagar-lhes os cabelos enquanto está deitada no sofá. Vou caber em ti, morar em ti, amanhã se tu quiser, mas hoje vou dormir aí.Um beijo,Rafael. ”O moço me arrancou um sorriso tão grande, que eu deveria fotografar e guardar só para ele. Um ‘sim’ transbordava o meu corpo por inteiro, suspirava tanto que o coração chegava a arder em felicidade. Fui indo para a cozinha, até que na geladeira tinha um outro papelzinho azul (azul como o céu) lá tinha o número de telefone dele. Eu já sabia, obviamente, mas ele resolveu anotar. Liguei.
-Alô.
-Oi, meu amor. Ele respondeu.
-Por quê tá fazendo isso?
-Cê tá sorrindo? Tá gostando?
-Sim, claro. Dei um risinho desconcertado.
-Então, tá bom pra mim.
-Mas, por quê? Suspirei do outro lado da linha.
-Me encontra na estação. E vá no teu quarto e procure por um envelope. E por favor, não abra.
-Ei… Eu sussurrei.
-Você é lindo. Ouvi a risada dele e desliguei o telefone. Estava a me desmanchar em trejeitos de cada palavrinha soprada pelo telefone. Acalmastes o pouco de mim, que estava a se enraivar. Agradeceria-lhe pelo resto da vida, só por me fazer sorrir, com tamanha besteira. Me enfiei numa roupa qualquer e fui atrás d’um ônibus que chegasse até o metrô, rápido. Estava a gostar de tudo isso, na verdade, por demasia meu coração estava a transbordar tudo que é sensação, anseio, felicidade, espera, expectativa, estava a florescer lírios e jasmins dentro de mim. Suspirava forte. Guiei meus pés para fora do ônibus agradecendo até mesmo ao cobrador, dançava quase sem querer,e e o coração pulsava ardendo em felicidade, o moço estava me segurando entre os dedos e eu, que quase sem jeito, tava virando manteiga e morrendo de amores.
-Acalma-te. Murmurei para mim, tentando cessar a respiração. Eu o avistei. Ah, não. O mundo parou, e laiá, que eu estava prestes a pular nos braços dele e lascar-lhe um beijo. Segurei entre os dedos gélidos e trêmulos o envelope que nem me ousei a abrir, nem mesmo uma olhadela fiz questão de dar. Eu o vi dando outro papelzinho pro moço que estava vendendo pipoca, o menino correu tão rápido que perdi-o de vista. Ah, que me doeu o coração.-Cê viu pra onde é que aquele menino foi? Perguntei com a respiração acelerada.-Ele mandou te entregar isso. O homem me entregou um papel e uma pipoca, apontou seu dedo indicador para o sul, e me mandou ir em frente.
-Agradecida. Respondi, saindo e apanhando o papel e a pipoca, que fiz questão de derrubar.
-Por nada, menina. Sorri.
O bilhete dizia. ”[…] Anda um pouquinho mais pra frente, meu amor, anda… Quem sabe você não tropeça em mim.” Estava tão distraída que nem percebi, que estava esbarrando em alguém. Não desviei o olhar.
-Desculpa. Eu disse erguendo a cabeça.
-Só se você me der um beijo. Argumentou.
-Que? Tá louco? Tô atrás de alguém… Eu estava tão presa nos meus pensamentos, que nem percebi quem estava logo à minha frente. Olhei para ele, e olhei profundamente procurando por um pouco de ar ou de qualquer coisa que pudesse me fazer transparecer, num só segundo para concertar tudo o que eu tinha dito.
-Rafael…Ah. Ele riu.
-Para de rir. Seu idiota. Abaixei o rosto.
-Só te desculpo, se me der um beijo.
-Ah, não. Corei as bochechas.
-Acho melhor, excluir essa possibilidade. Ironizava a situação, com um envelope, um papel e uma pipoca entre as mãos.
Ele riu.
-Quero meu beijo.
-Não quer me ajudar não? Derrubei a pipoca.
-Tinha que ser…
-Agora vem. Ele me puxou.
-Que foi? Como se já não bastasse você correndo de mim o dia inteiro… Emburrei a face.
-Tu ficas linda, assim.
-Assim como?
-Minha, hum, bravinha.
-Sua?
-Minha.
-Meu?
-Seu. Sorri.
-Não esqueci.
-Do que?
-Não te desculpei.
-Não ligo. Resmunguei.
-Liga sim.
-Agora vem. Ele me puxava para dentro do trem.
-Cadê o envelope? Ele perguntou.
-Tá aqui, oras.
-Me dê. Eu dei o envelope para ele, olhando dentro os olhos procurando por um reflexo meu, ou por alguma música que ele não havia cantado. Ambos suspiramos, estávamos colidindo, um jeito bonito de começar a amar, ele me batia a porta sempre ás três e meia da tarde de um dia de domingo, sempre. Vinha a colorir o que era o dia mais entendiado de uma semana melancólica. Meu coração transbordava. Num golpe de olhar, o menino tava bem na minha frente e eu nem pude desviar, me roubou um beijo. E ah… que beijo doce.
-Masss….Rafa..el. A voz fraquejou. Como cê faz uma coisa dessas? Roubando beijo? Que coisa de menino.
-Larga de graça.
-Não.
-Cê é teimosa.
-Não.
-Quer fugir comigo?
-Quero. Respondi sem nem pensar, estávamos dentro do trem, com uma pipoca pela metade, dois corações ardendo de amor, e duas passagens.
-Para onde vamos?
-Vamos para uma casinha…
-Antes de morrer, quero filhos. Disse com a voz calma.
-Quero seis.
-Quantos você quiser. Mas, foge comigo? Ele disse com o sorriso queimando em expectativas, esperanças, alegrias e felicidades, dava um jeito que flamejava até mesmo minh’alma. Dei a mão para ele, que estava tremendo de anseio.
-Não solte.
-E…acrescentei.
-E morremos de amor… Ele suspirou e me deu um beijo.
Morrendo delicadamente.
-Shiiiii…Eu gosto de silêncio. Sussurrei para a minha cabeça, que gritava em dor. Tornei-me comum aos olhos teus, tornei-me um anseio por desejar um alguém qualquer. Virei um silêncio latejante entre todos os poros da minha pele, um medo que vinha a arrepiar minh’alma, estou a transparecer em música, morrendo delicadamente em cada nota sendo soprada pelo meu vento boreal. E vejo que estou a observar que num instante de olhar ou num desvio da tempestade, eu coloco a desmanchar em medos e em palavras sufocadas pelo meu silêncio atordoante. Fechei todas as minhas janelas, para morar dentro da minha escuridão. É, eu sei. Isso é errado, caminhar com os pés cansados e cheios de medos, um passo para frente e três para trás, não me parece a melhor solução. Mesmo que eu pudesse inventar trejeitos para sair suficientemente viva de qualquer lucidez silenciosa vivenciada em meio de tanta agonia ou ilusão.
Estou a vender almas que nem pertence à mim, almas carregadas entre meus braços, sem forças que gritam por descanso. E minha mente que não cala tua voz gritante em todos os cantos da casa. Uns anos depois pensei que viesse a adormecer todas as dores e percebi que só vieram a aumentar e a dor mais. Sufoco todo o meu medo esplêndido em tantas as palavras que chega a me afogar dentro do meu mar, desejando que alguém me salve do nada que eu me tornei. Beber trezentos copos de café cheios de açúcar para ver se adoça um pouco a minha vida. -Um pouco mais, sempre mais. Transborde. Mesmo que o café seque a garganta que grita por mais doçura, ou por mais cor numa fotografia preta e branca. Minhas palavras soam confusão. Eu estou a soar tudo aquilo que sempre tive medo.
Me tornei uma prisioneira dos rastros do passado e do meu medo de lembranças. Tornei-me aquilo que sempre temi, um fantasma protestante e flamejante do futuro. Um medo imenso daquilo que ainda está por vir. Tornei-me a parte mais sublime de um receio por seguir em frente, estou a virar poeira sendo soprada pelo vento. Esperando que num canto qualquer, alguém me encontre e me transforme na música que costuma vir do seu timbre de voz. Talvez, por que seja de amor que meu coração pulsa, e talvez seja falta de amor, toda essa saudade e esse receio que meu coração insiste em gritar.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
É um pouco tarde demais.
Eu te vi se afastando de mim, não aceitando os meus defeitos, se defendendo das minhas palavras. Eu estava lá assistindo seu coração partir. E eu estava lá juntando todos os seus pedaços. Como um vidro quebrado. Você tentou me colocar no chão, mas eu resisti. E você estava indo para o desconhecido, sua alma se afundava na própria escuridão. Seu sorriso não era o mesmo, mas eu estava lá, para levar sua dor para longe. E você passou a primavera inteira, com a chuva presa em teus olhos.
Abristes aquele sorriso tempestuoso, e eu fiz com que sobrevivesse ao teus medos, fiz com que, de certa forma, pudesse me amar -novamente-. Eu não visitei outros lugares, nem conheci novas pessoas, mantive o fogo aceso dentro da memória, fui tão estúpida em acreditar que poderia haver amor, onde só há rancor.
Eu fui para distante, e me honraria ir mais longe ainda. Mesmo depois de todos esses anos, você preso à mim. E vice-versa. Depois de tanto tempo beber uma dose de cachaça para apagar a dor. Apagar os sonhos, que construímos juntos.
Antes que eu pudesse dizer adeus, antes que, por um momento eu imaginasse te deixar. Mas antes, eu deveria tirar todo o amargo do seu peito. Tirar toda a irrelevância que colocaram em teus pesadelos. Mas antes mesmo de você ir,eu já estava só. E já me via como o problema.
E talvez, um problema sem solução.
"Olha, eu andei observando o dia se fundir, observei o crepúsculo, o amanhecer. E vi que dentro de seus olhos, escondia-se a noite. Veja bem, sabes que eu gosto de você, menino. Sabes que eu admiro a poesia que tem em teus olhos. Admiro do jeito que você sorri, escondendo tuas lágrimas. Admiro como consegue rir, tirando a máscara de certas pessoas. Sabes, menino, eu te admiro…E te admiraria só por existir."
Abristes aquele sorriso tempestuoso, e eu fiz com que sobrevivesse ao teus medos, fiz com que, de certa forma, pudesse me amar -novamente-. Eu não visitei outros lugares, nem conheci novas pessoas, mantive o fogo aceso dentro da memória, fui tão estúpida em acreditar que poderia haver amor, onde só há rancor.
Eu fui para distante, e me honraria ir mais longe ainda. Mesmo depois de todos esses anos, você preso à mim. E vice-versa. Depois de tanto tempo beber uma dose de cachaça para apagar a dor. Apagar os sonhos, que construímos juntos.
Antes que eu pudesse dizer adeus, antes que, por um momento eu imaginasse te deixar. Mas antes, eu deveria tirar todo o amargo do seu peito. Tirar toda a irrelevância que colocaram em teus pesadelos. Mas antes mesmo de você ir,eu já estava só. E já me via como o problema.
E talvez, um problema sem solução.
"Olha, eu andei observando o dia se fundir, observei o crepúsculo, o amanhecer. E vi que dentro de seus olhos, escondia-se a noite. Veja bem, sabes que eu gosto de você, menino. Sabes que eu admiro a poesia que tem em teus olhos. Admiro do jeito que você sorri, escondendo tuas lágrimas. Admiro como consegue rir, tirando a máscara de certas pessoas. Sabes, menino, eu te admiro…E te admiraria só por existir."
Não vai embora, não. Se quiser eu faço um chá para você, adoço seu café o quanto você quiser. Se quiser, eu posso até pintar um quadro. Mas, não vai, não. Não se aprofunde nessa sua tristeza repentina, não siga esse caminho que a sua escuridão está querendo te levar. Não deixa, não. Se quiser eu posso te comprar um maço de cigarros. Mesmo que você não fume. Eu posso te contar uma piada, adoraria ver teu sorriso deslumbrar novamente. E seria tão bom.
Não vai, não. Se aconchega aqui no meu peito, que tem espaço de sobra pra você. Deixa o timbre da sua voz me arrepiar, e eu prometo ficar aqui só pra você.
Não vai, não. Se aconchega aqui no meu peito, que tem espaço de sobra pra você. Deixa o timbre da sua voz me arrepiar, e eu prometo ficar aqui só pra você.
Endereçado a Charlie Dutchman.
Inglaterra, 28 de Agosto de 2011.
Meu caro, Charlie.
Venho à lhe dizer, que ando pensando em não fumar mais esses cigarros, em respeito a você, que obviamente, és meu marido. E deve estar um tanto quanto preocupado com o meu pulmão, que na verdade não vai nada bem. Venho também, nessa carta tão curta, e pobre de palavras, lhe dizer, que és também a única razão, que eu ridiculamente, penso em escrever.
Meu bem,
te levarei para algum lugar confortável, quando você voltar. E se eu tiver medo, espero que você, meu amor, cuide de mim. Queria lhe contar, que meu peito arde em saudades, e que eu estou cansada de viver à base de calmantes e soníferos. Então, meu amor. Volte logo.
Responda-me com tua bela caligrafia,
e claro, se puder.
E não se esqueça, de tomar seu chá antes de dormir. Senão acordará nos nervos, e não quero que desconte sua raiva, nessas pessoas.
Atenciosamente,
Senhorita Dutchman.
(Sob pseudo de Dionne Dutchman)
Meu caro, Charlie.
Venho à lhe dizer, que ando pensando em não fumar mais esses cigarros, em respeito a você, que obviamente, és meu marido. E deve estar um tanto quanto preocupado com o meu pulmão, que na verdade não vai nada bem. Venho também, nessa carta tão curta, e pobre de palavras, lhe dizer, que és também a única razão, que eu ridiculamente, penso em escrever.
Meu bem,
te levarei para algum lugar confortável, quando você voltar. E se eu tiver medo, espero que você, meu amor, cuide de mim. Queria lhe contar, que meu peito arde em saudades, e que eu estou cansada de viver à base de calmantes e soníferos. Então, meu amor. Volte logo.
Responda-me com tua bela caligrafia,
e claro, se puder.
E não se esqueça, de tomar seu chá antes de dormir. Senão acordará nos nervos, e não quero que desconte sua raiva, nessas pessoas.
Atenciosamente,
Senhorita Dutchman.
(Sob pseudo de Dionne Dutchman)
Sem querer, meu amor, coloquei ponto final em você.
E quem um dia possa dizer, que eu nunca coloquei ponto final em nada. Estará completamente enganado, foi num dia gelado, e obviamente no inverno. Teus olhos me pareciam tão cansados, e tua alma se fundia no preto e branco. Não pude me despedir de você, seria doloroso demais. Na verdade, ainda é muito doloroso pra mim, num dia de domingo ter nostalgias, daquilo que planejamos e nem chegamos à viver. O telefone tocou. Levei um susto tão grande, que meu coração palpitou fortemente.
-A-a-alô. Atendi, com a voz falhada.
-Oi! Sou eu. Disse ele, calmamente.
-Olá, cê tá bem? Perguntei.
-Estou. Mas não liguei para falar de como me sinto, ou não. Só liguei para dizer que eu ainda penso em você, todos os minutos do meu dia.
-Não é o suficiente, não para mim.
(Silenciou-se por no mínimo vinte segundos.)
-Oi? Perguntei.
-Por quê não é o suficiente?
-Se fosse, você estaria aqui.
-Talvez, talvez, eu esteja aí. A voz trêmula dizia.
-Creio que não.
-Por quê não olha para a janela?
Então segui meus passos acelerados até a janela de meu quarto, velho. E observei, não havia nada ali.
-Não tem nada…Entristeci.
-Tem certeza?
-Sim!
-Olhe de novo… Fui até a janela mais uma vez, sem muitas esperanças. E então avistei um buquê de flores, junto à um bilhetinho. Desci. E o peguei.
E dizia assim: ” Se não fores o suficiente, juro-lhe, meu amor, farei de tudo para ser alguma coisa.” Passei a ponta dos dedos em tua caligrafia. Suspirei. E peguei o telefone:
-Oi? Ainda está aí?
-Sim!
-E se tu queres, só o seu amor pra mim, basta. Sorri.
A ligação caiu. E eu fui me deitar, e sem que eu percebesse o rapaz, já subia as escadas de minha casa, e batia em minha porta. Levantei-me.
-Quem é?
-E quem mais seria?
-Ohhh, meu amor.
E então, o menino entrou, me abraçou, e me aconchegou até o amanhecer.
-Esqueci-me de algo.
-Do quê? Perguntou.
-Tem uma borracha?
-Para quê?
-Sem querer infelizmente coloquei ponto final, em você.
-Oras, então faça-me o favor de apagar, e colocar reticências, vírgulas, qualquer coisa, menos um ponto final.
-Concordo, nossa história ainda nem começou… Pra quê ponto final?
-A-a-alô. Atendi, com a voz falhada.
-Oi! Sou eu. Disse ele, calmamente.
-Olá, cê tá bem? Perguntei.
-Estou. Mas não liguei para falar de como me sinto, ou não. Só liguei para dizer que eu ainda penso em você, todos os minutos do meu dia.
-Não é o suficiente, não para mim.
(Silenciou-se por no mínimo vinte segundos.)
-Oi? Perguntei.
-Por quê não é o suficiente?
-Se fosse, você estaria aqui.
-Talvez, talvez, eu esteja aí. A voz trêmula dizia.
-Creio que não.
-Por quê não olha para a janela?
Então segui meus passos acelerados até a janela de meu quarto, velho. E observei, não havia nada ali.
-Não tem nada…Entristeci.
-Tem certeza?
-Sim!
-Olhe de novo… Fui até a janela mais uma vez, sem muitas esperanças. E então avistei um buquê de flores, junto à um bilhetinho. Desci. E o peguei.
E dizia assim: ” Se não fores o suficiente, juro-lhe, meu amor, farei de tudo para ser alguma coisa.” Passei a ponta dos dedos em tua caligrafia. Suspirei. E peguei o telefone:
-Oi? Ainda está aí?
-Sim!
-E se tu queres, só o seu amor pra mim, basta. Sorri.
A ligação caiu. E eu fui me deitar, e sem que eu percebesse o rapaz, já subia as escadas de minha casa, e batia em minha porta. Levantei-me.
-Quem é?
-E quem mais seria?
-Ohhh, meu amor.
E então, o menino entrou, me abraçou, e me aconchegou até o amanhecer.
-Esqueci-me de algo.
-Do quê? Perguntou.
-Tem uma borracha?
-Para quê?
-Sem querer infelizmente coloquei ponto final, em você.
-Oras, então faça-me o favor de apagar, e colocar reticências, vírgulas, qualquer coisa, menos um ponto final.
-Concordo, nossa história ainda nem começou… Pra quê ponto final?
Um soneto de poesia, para meu amor.
É nesse comecinho de noite, meu amor, que venho em forma de canção acalmar-te os nervos, que tanto gritaram em plena segunda-feira. Não fiz questão de em vir em forma de poesia, pois como se já não bastasse a poesia de teus olhos mergulhando em mim. Meu amor, estou aqui para lhe fazer algumas perguntas. Se me permite.
- Posso engarrafar teu sorriso? Perguntei desdenhosamente.
- Isso é pergunta, menina? Sorriu. -Pode, sim. Acrescentou.
- Ótimo, então. Como posso lhe alegrar, meu amor? Meus olhos brilharam.
- Apenas, me abrace, meu amor, apenas fique. Abaixou a cabeça.
- Eu poderia cantar p’ra você… Tentei corforta-lo.
- Meu amor, apenas deite comigo, venha. Ele sorriu. Os olhos estavam cansados, mas eu queria mais, eu queria vê-lo brilhando, só pra mim.
- Antes… Eu quero recitar para você uma poesia. Perguntei calmamente, me ajeitando na cama, e deitando nos braços do meu rapaz.
- Tudo bem, meu amor…
- Começarei, agora.
” Teus olhos são meus livros.
Que livro há aí melhor,
Em que melhor se leia
A página do amor?
Flores me são teus lábios.
Onde há mais bela flor,
Em que melhor se beba
O bálsamo do amor?”
-Ele sorriu. Que graça, meu amor. E de quem é? Perguntou fazendo um arco com a sobrancelha.
-Machado de Assi…. E antes que eu terminasse, meu amor, já havia adormecido. Peguei em teus dedos gelados, e juntei aos meus. Ajeitei-o em meu peito, e aqueci o coração. Dei um beijo tem tua testa, e adormeci.
- Posso engarrafar teu sorriso? Perguntei desdenhosamente.
- Isso é pergunta, menina? Sorriu. -Pode, sim. Acrescentou.
- Ótimo, então. Como posso lhe alegrar, meu amor? Meus olhos brilharam.
- Apenas, me abrace, meu amor, apenas fique. Abaixou a cabeça.
- Eu poderia cantar p’ra você… Tentei corforta-lo.
- Meu amor, apenas deite comigo, venha. Ele sorriu. Os olhos estavam cansados, mas eu queria mais, eu queria vê-lo brilhando, só pra mim.
- Antes… Eu quero recitar para você uma poesia. Perguntei calmamente, me ajeitando na cama, e deitando nos braços do meu rapaz.
- Tudo bem, meu amor…
- Começarei, agora.
” Teus olhos são meus livros.
Que livro há aí melhor,
Em que melhor se leia
A página do amor?
Flores me são teus lábios.
Onde há mais bela flor,
Em que melhor se beba
O bálsamo do amor?”
-Ele sorriu. Que graça, meu amor. E de quem é? Perguntou fazendo um arco com a sobrancelha.
-Machado de Assi…. E antes que eu terminasse, meu amor, já havia adormecido. Peguei em teus dedos gelados, e juntei aos meus. Ajeitei-o em meu peito, e aqueci o coração. Dei um beijo tem tua testa, e adormeci.
Assinar:
Comentários (Atom)





