quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Saudade.


Saudade que arde no peito, e que se aprofunda na memória. Saudade. Saudade. Sentir falta daquilo que não viveu, sofrer por aquilo que nunca foi teu. Sonhar. Imaginar. Sentir. Sen-ti. Sem ti.
E desde quando liberdade virou saudade? Desde quando para se voar é preciso limite? E desde quando, menino, virou homem? Assim tão depressa? E que esse sentimento voraz não devore teu aspeito de menino-homem. Que essa saudade não corroa tua astúcia, e teu calor. A única coisa que tens a fazer é dançar com a saudade, e admirar o céu. Observar que assim como você, as estrelas morrem. Observar que teu peito sangra, que teu amor agora não se passa de mais uma memória acomodando-se em minha mente. E na sua também.
Saudade de teu cheiro, e de teu olhar de quem estava querendo me cuidar, de quem estava ali sempre eu precisasse. E deveria ser assim, ao menos.  Eu andei pensando em te ligar, mas acabei desistindo.
Que coisa clichê falar sobre o quanto eu sinto sua falta, e blá blá blá. Não sou assim, e creio que a culpa seja unicamente sua.
É como se eu andasse de pés descalços em brasa quente. Como se alguém estivesse esmagando meu coração nesse momento. Quantas dores terei que sentir, até matar esse meu orgulho? Talvez, nenhuma. Não mas.
Eu voltaria para lhe pedir desculpas, para te contar de como o céu está cinzento. Voltaria para te fazer um café novo, por que sei muito bem que você continua naquele cafézinho requentado, e que obviamente fora sua mãe que preparou. Enquanto você estivesse deitado no sofá, meus olhos caminhariam teu corpo inteiro, só para ver se tudo corria bem. Quanto exagero! Quanto amor! Eu voltaria só para parar de escrever essas cartas melancólicas p’ra tu. Voltaria só para lhe fazer um afago, um chamego, um carinho de madrugada. Para poder te acalmar, quando tiveres um pesadelo.
É uma saudade que me destrói. Machuca. Corrói. Não quero-a, não insista. Desejo que essa saudade vá logo. E que venha à  você. Venha pra mim, e que fique por mim também. Que sacrifique tuas dores, e as lembranças ruins, que tua índole graciosa, venha encarecidamente me cuidar. E sussurar em meu ouvido:
-Seja minha… E que eu me derreta em amores, quando ouvir essas palavras sendo sopradas em mim… E que eu me derreta de amores, só você estar aqui. E fazer parar de doer. E fazer, com que por fim essa saudade se aquete. E que cesse junto à nossa respiração.

Mesmo que eu pudesse compreender os anjos.


Não caberia à mim, entender você. Oh, meu amor, veio meio sem jeito, e me suplica respostas. Não entendo nem à mim, rapaz. Eu sou toda perdida, toda desconcertada.
Tu és um anjo, meu amor, e disso eu já estou cansada de tanto saber. Pois em sã consciência, quem dera eu, compreender a língua dos anjos.
_Sejas meu. Murmurei. Esperava tua resposta como se esperava o sol se pôr.
Que gostoso seria, se você estivesse aqui para me ver suspirar. Observaríamos o céu, meu anjo. Você ainda cheira à esperança. E se queres saber tenho planos para hoje. E o plano? Pintaremos um arco-íris poético em nosso quintal bordado de flores. Tuas asas, poderiam se juntas as minhas, e poderíamos voar para longe. O que me diz?

Pode entrar, meu bem, a porta está aberta.


Por enquanto ela continua aberta, desconhecendo tamanha dor. Hoje eu observei o dia nascer, e  poderia te contar o quão isso foi bom. Hoje não pretendo me deitar e perder o dia, já que perdi a noite inteira tentando escrever algo bom. Pode entrar, meu bem, colocarei uma música para dançarmos. E creio, que você irá adorar. Alongarei meu corpo, até a cozinha para fazer um chocolate quente para nós dois. O que acha de um filme mais tarde? Sei que tu gostas. E farei de tudo para lhe confortar, nem que seja por hoje.
A minha janela, está cheia de flores, e essas flores andam iluminando meu dia. É tanta inquietação, é tantos planos. Hoje me permitirei que o sol me doure, e que queime também minhas dores. E que tua leveza, e tua serenidade entre junto com você por aquela porta.
Vou voar feito borboleta. Vou sentir. Andar. Suspirar. Hoje.  Hoje eu me permito, que a felicidade venha junto a brisa, e que entre pela janela entre-aberta.  A casa é sua, se quiseres.
Deixa de ser insolente, rapaz! Entre logo por essa porta, por que aqui vive alguém que muito quer te amar.

Amanheci em prantos, faltando-me o ar. Suspirei a tristeza que veio desde o (quase) pôr do sol que fez questão de se entristecer junto à mim. Tudo está pendendo a cor, e receio que mais uma vez, estejamos sendo pintados preto e branco.
Não era assim. Decepções e lonjuras me entristecem e fazem tudo a minha volta, viver em plena melancolia. Continuo a tentar me enganar o pensamento, ou até mesmo em ir dormir. É a terceira noite que eu não durmo. O receio? É de sonhar com você, e amanhecer na expectativa  em plena dádiva de rancor. E sem dúvidas, não será uma noite em lágrimas, ou banho que  ’lave a alma’, que vai me fazer esquecer de todo mal que vem à causar-me. Procurei o ar, e não encontrei. Na verdade, parecia encontrava-me em uma lagoa de lágrimas. Oxigênio em uma lagoa de lágrimas salgadas, e dóidas?
Dói um bocado, e um bocado não é pouco. O que é pouco pra você? Pouco é frescura. Pouco é bobagem. Conheço-te, assim, como conheço a distância de minhas palavras. E o quanto elas te fazem pensar em mudar um pouco tua índole de rapaz-não-liga-pra-nada. Uma hora, e que logo sejas, tu aprendes a valorizar. Aprendes a amar também e sinta o quanto o vazio é doído. E que pouco, não é bobagem.
Escassez de sentimentos. De palavras. De carinho. Embriaguei-me em dores, e analgésicos e se tu queres saber, não funcionaram. O vislumbre do teu sorriso intrépido anda me perturbando às madrugadas. Maldade! Como se não bastasse  minha falta de sono, o rapaz ainda vem me perturbar no comecinho da manhã.
Meu peito agora está armado novamente, protegendo-se de qualquer um. E perdoa-me, coração, por ser tão incapaz de cuidar de você. Faltam-me tantos os pedaços, que nem eu mesma estou me encontrando.
Veja só a tempestade que está minha cabeça. Tanta bagunças, ressentimento, memória, tentativas continuas de esquecimento. Uma dose de desapego de lá, uma de desamor do outro lado. Mas, é assim, aprendi a conviver com minhas dores e com meus amores reprimidos.
Venho à me desculpar por ser essa linha torta, errante, errada. Perdoai-me por ser esse texto sem desfecho, um poema sem rima, um poeminha sem graça, por ser essa reticência e querer sempre continuar o que já deveria ter acabado. Enfiarei-me em um livro surrado, ou em doses excessivas de: observar o dia.
Oras, serei apenas eu. Uma versão um pouco mais velha, e um pouco mais machucada, também. Corroendo-me por palavras, e sendo devorada por finais (in)felizes. 

Liberdade chamou meu nome, e me entregou um par de asas para voar.Nunca me senti tão livre, e o céu, em sã consciência nunca pertenceu tanto à mim. Alguma voz na minha cabeça fica dizendo: Voa, voa, voa! Mas vá para longe, tão longe  para que tu possas, se perder em ti. E quando voltar: Transborde esperança! E então obedeci.
Acabei me perdendo no próprio caminho que construí, me perdi no meu céu. Mas, os pássaros, enfim me ajudaram a me encontrar. E sem querer me encontrei em você. E a dor que estava congestionada no meu peito, o teu sorriso fez questão de apagar. E agradecer-te por me aliviar das dores do mundo.
Saudade gritou meu nome! E não pude deixar de atender, fingi surpresa. Oh, céus. Quanta melancolia me trouxestes. Volte, liberdade, volte e traz o desdém do sorriso do menino novamente, também! Saudade roubou minhas asas. Saudade roubou minha sanidade. Enraivei-me. Uma voz doce, soava em meu ouvido por detrás.
-Shiii, eu estou aqui. Dizia. Assustei-me.
-E quem lhe trouxestes pra mim? Perguntei, observando o vislumbre do teu rosto.
-Foi teu beija-flor…
-E desde quando beija-flor, me segue? Perguntei, desconfiada.
-Desde quando você virou flor. Ele dizia com a voz gentil.
-Virei é? Sorri, desconcertada.
-Virou.
-E a minha liberdade, minhas asas, e essa saudade?
-A saudade passa, menina. E sua liberdade? Sua liberdade está no teu coração e suas asas, elas estão aí, na tua imaginação. Respondeu, sorrindo. 

Um ar gelado entrou pela janela, mas o céu permanece azul. Assim como teus olhos. E as nuvens começaram a chorar. O vento me acariciou, e cantou feito pássaro. Eu consigo te sentir, não consigo sentir o cheiro de seus passos e o cheiro do seu casaco e mesmo que eu muito desejasse, sua voz já não ecoa mais mim. Criei um véu entre meu céu e meu inferno, entre meus medos e devaneios. Criei um véu entre minha sombra e minhas dores, e um véu entre você.
Talvez sejamos apenas duas almas tentando livrar as dores da mente, tentando se arder em desejo e sendo movidos pela a incerteza do coração. Não eu. Não mas. Escolhi o melhor de todos os caminhos reluzentes que eu poderia seguir. Escolhi a razão com a consciência limpa feito aquário.
Mesmo que meu peito queime em delírio. E que minhas palavras não sejam o suficiente para lhe confortar em um lucidez que transborda o silêncio da desilusão. Daríamos as mãos, se você quiser, poderíamos ser serenidade, leveza, calor. E você seria o sol de todos os meus dias cansados.
Nunca fui muito boa em me despedir ou em dar adeus, mas tantas vezes fui  obrigada. Espero que recite junto à mim o nosso último soneto de poesia e que nossa distância se quebre no desconhecido infinito. Estou sendo precipitada e sofrendo um bocado antes, só para não sofrer depois. O início do fim, o início de ilusão e da desventura.
E que eu me torne bailarina para cambalear em cada passo meu um pouco de poesia. Colocarei meu vestido florido e serei um pouco mais eu, desde hoje. Desde agora. Vou desatar aquele laço que nos juntava e me deitar no chão num fim de tarde qualquer. Frequentar a praça que eu costumava ir. Imaginarei-me em um céu vazio, menina passarinho voando baixo. Abaixando o voo para evitar grandes quedas e joelhos machucados. Ainda me vejo na necessidade de me apaixonar a cada mais só que dessa vez, por mim.
Sobrevivendo numa única esperança de ver o sol nascer, mais uma vez. Cantes para mim a poesia que o vento cantou, soprou, e também enraivou. Sou catavento, sou bailarina que espera soldado de chumbo se usar à dançar.

Tropecei e acabei num canto qualquer entre: Silêncio e amor. E fiz questão de me afundar em mim, em um suspiro do começo de manhã. Ventania acompanhando o meus passos desajeitados e imprecisos. Acabei caindo em um buraco escuro de nostalgia. Se me permite, chamarei-o para dançar junto à mim também. Não me acho no direito de dançar sozinha, chamarei-o no começo de noite para vir dormir comigo também, para assistirmos um filme melancólico, ou uma comédia que nos faça rir até que nossos estômagos gritem de tanta agonia.  Levarei você no meu quintal para podermos respirar um ar puro, e nos beijarmos num tropeço meu. Eu sei que você não trocaria um sorriso por uma dose (dupla) de desapego. Bem eu que sei, tantas as coisas suas, e você tampouco sabe de mim… E eu não falo, falo porque sei do teu gosto imenso por mistérios. De querer devora-los a cada nova histórinha para contar, ou a cada suspiro que eu der por ver teus olhos através dos meus. Vejo que percebestes minha mania de pequeneza, cá entre nós, é só um jeitinho bonito de falar. Até porque prefiro que tudo seja grande, que sejas intenso. Se é que tu me compreendes. E mesmo que esteja à contar os sete ventos tudo o que venho a sentir, sei bem que você ainda vai gostar de mim e que me ama a cada palavra minha. Vejo em teus olhos, e entendo o quanto seu ar de rapaz sério, é só disfarce. E vou confessar-lhe que eu estou um bocado feliz em saber que estou  a respirar o mesmo ar, que o amor da minha vida. Se é que posso chamar-lhe assim, quero ver teu sorriso brilhar cada vez que eu disser: -Eu te amo. Tenho certeza que vai virar o rosto e pensar em como poderia me dizer o tanto que seu amor é recíproco. Vai virar o rosto e negar que me ama também, mesmo que eu possa ver seu peito queimando em vontade de me dizer o mesmo. Sereníssimo, meu caro, sereníssimo. Serenidade faz parte do meu vocabulário das palavras bonitas e cheias de afeto meu. Mas vamos, do meu lado é teu lugar, minha poesia vai te aconchegar cada vez que você precisar, grite meu nome e assuma que me ama. Vá.
-Olhe para mim, meu amor, vou ali voar, queres ir comigo? Perguntei.
-Vou onde você for. Respondeu, tropeçando as palavras.
Beijei mais uma vez meu silêncio e esperei se ele se faria o favor de me beijar os lábios. Não se moveu.
-Olhe cá, que diabos que lhe pega, que você não vem me beijar logo? Parece até que tenho que lhe implorar alguns afagos. O rapaz apressou os passos, e também não estava muito distante de mim, logo chegou. E beijou-me os lábios.